A ONU expressou hoje – através de entrevista coletiva de sua porta-voz, Michèle Montás – sua inquietação com a destituição pelo Senado da primeira-ministra do Haiti, Michèle Pierre-Louis, e que isso possa afetar a estabilidade do país, ressaltando porém que é um assunto de política interna.
A organização considerou também que é “legítima” a preocupação de alguns meios de imprensa que a cassação da primeira-ministra pudesse afetar a estabilidade política do país, mas reiterou que esta é “uma decisão tomada pelo Senado haitiano”.
“As consequências que possa acarretar já serão vistas, e dependerão da rapidez com que se forme o novo Governo. Se vai haver instabilidade dependerá das ações tomadas neste momento”, acrescentou.
O Senado do Haiti destituiu hoje a primeira-ministra, após submeter a uma moção de censura sua gestão de algo mais de um ano do empobrecido país caribenho.
Por 18 votos a favor e uma abstenção, e após um debate de mais de dez horas, o Senado haitiano, atualmente com 29 membros, decidiu pela cassação da primeira-ministra, que era criticada por ter fracassado em suas políticas parar tirar o país da pobreza.
Por sua parte, a Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) emitiu um comunicado distribuído em Nova York no qual pede às partes que cooperem para assegurar a estabilidade do país e se forme o mais rápido possível o novo Governo haitiano.
“Só dessa maneira se consolidará a estabilidade e se aproveitarão todas as oportunidades reais de progresso que hoje existem, e que levarão o Haiti pelo caminho do desenvolvimento”, informou a missão do organismo internacional.
Também destaca que “todas as partes devem trabalhar juntas em espírito de solidariedade e associação para enfrentar os vários desafios que o país tem pela frente, ao mesmo tempo em que se responde às aspirações dos haitianos”.