A Organização das Nações Unidas (ONU) está “muito preocupada” com as “centenas de milhares” de subsaarianos que se encontram na Líbia e que até agora não saíram do país entre os 200 mil trabalhadores estrangeiros que já cruzaram as fronteiras da Tunísia, Egito e Níger.
“Sabemos que há centenas de milhares de subsaarianos na Líbia, e ao contrário dos egípcios, tunisianos, e inclusive cidadãos asiáticos, como os bengalis, que fugiram do país, eles continuam no interior”, disse em entrevista coletiva o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, (Acnur), António Guterres.
“Achamos que eles têm medo de se movimentar, porque já houve casos de confusão entre alguns desses trabalhadores inocentes com um grupo de mercenários africanos” que participam dos combates do lado do ditador líbio, Muammar Kadafi, acrescentou Guterres.
“Vimos muito poucos deles saírem, e por isso pensamos que estão assustados”, insistiu.
O responsável do Acnur discursava em entrevista coletiva na qual a agência da ONU para assuntos humanitários (OCHA) fez um pedido de fundos no valor de US$ 160 milhões, para atender durante três meses as necessidades humanitárias de um milhão de pessoas em relação com a crise líbia.
Trata-se de 400 mil pessoas que calcula-se que abandonarão a Líbia pela crise que vive o país – das quais 200 mil já saíram pelo Egito, Tunísia e Níger – assim como de outras 600 mil dentro do país que também precisarão de ajuda humanitária em diferente grau, segundo indicou Valerie Amos, secretária-geral adjunta da ONU para Assuntos Humanitários.