A principal conclusão do documento é que, para deter o aquecimento global, é imprescindível que sejam incluídos critérios de respeito à natureza no fluxo de capitais e nos investimentos internacionais, 86% dos quais se encontram em mãos privadas.
“Este é um assunto-chave na luta contra a mudança climática”, e um dos aspectos essenciais para o combate do aquecimento global é a “resposta econômica”, disse o secretário-geral da Convenção da ONU para a Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês), Yvo de Boer, ao apresentar o estudo.
O documento, de 216 páginas e intitulado “Análise dos fluxos financeiros e de investimentos existentes e potenciais para o desenvolvimento de uma resposta internacional efetiva e apropriada à mudança climática”, apresenta uma projeção das necessidades econômicas futuras para que a mudança climática seja contida.
“Estes dados são indicativos, mas o panorama apresentado é importante para o próximo regime climático”, afirmou De Boer.
Os países em desenvolvimento serão os que mais reduzirão as emissões de gases causadores do efeito estufa, já que, caso o fluxo de capitais até 2030 seja respeitado, as emissões dessas nações, que receberão 46% dos investimentos, sofrerão uma queda de 68%.
“A eficiência energética é o meio mais promissor para a redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa a curto prazo”, declarou De Boer. Segundo o secretário-geral da UNFCCC, parte da resposta à demanda futura por energia poderá ser dada a partir da otimização do uso daquela, e não por meio de uma maior geração.
Uma das medidas sugeridas para minimizar a mudança climática é o investimento, de US$ 148 bilhões, em fontes de energias renováveis, hidroelétricas, usinas nucleares e pesquisas de tecnologia destinadas ao “seqüestro” do dióxido de carbono liberado na atmosfera.
O documento também destaca a importância da preservação das florestas, do desenvolvimento de tecnologias “limpas” e da reorientação dos fluxos financeiros à melhora da eficiência energética nos setores industrial, da construção civil, do transporte e da agricultura.
Ainda segundo o estudo, para a implementação das medidas, será preciso reforçar ferramentas já contempladas no Protocolo de Kioto, como o mercado de compra e venda de créditos de carbono e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite que países industrializados troquem investimentos em projetos que reduzirão a liberação de gases estufa pelo direito de emitir uma quantidade maior deles.
No entanto, os números do relatório não incluem os custos relacionados às adaptações à mudança climática, que dizem respeito, sobretudo, aos países em desenvolvimento e que poderão variar de US$ 28 bilhões a US$ 67 bilhões até 2030.
Tais gastos incluem medidas para minimizar o impacto do aquecimento global, como a construção de diques e barreiras para conter a elevação do nível do mar.
Outras medidas também serão necessárias na área da saúde, para responder ao aumento dos casos de desnutrição e malária e à falta de água doce.
A relação entre a mudança climática e a economia já foi analisada no estudo “A economia da mudança climática”, encomendado pelo atual primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e que conclui que seria preciso investir 1% do PIB mundial para reduzir os efeitos do aquecimento global.
O documento final do encontro servirá de base para os especialistas debaterem o modelo financeiro que será necessário para um acordo posterior ao de Kioto. Além disso, vai ser um dos principais elementos da conferência multilateral de Bali.
O Protocolo de Kioto, ratificado por 166 países, fixou como meta que 35 países industrializados deveriam reduzir em 5% suas emissões de gases em relação aos níveis de 1990, algo que, por enquanto, está longe de ser cumprido.