A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta quarta-feira (19) que 907 profissionais humanitários foram mortos, feridos ou sequestrados em 2025, em um recorde atribuído em parte ao aumento do uso de drones armados. O número supera os 833 registrados no ano anterior, segundo o Aid Worker Security Database.
Desse total, 350 morreram, uma leve queda em relação ao recorde de 387 mortes registrado em 2024. A plataforma que reúne os dados é financiada por Canadá e Austrália e compila os principais incidentes de segurança que atingem trabalhadores humanitários.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o nível de violência como chocante e pediu que os países respeitem as regras da guerra e responsabilizem os autores dos ataques. “Servir ao próximo tornou-se mais perigoso do que nunca”, disse, antes das cerimônias da ONU planejadas para o Dia Mundial da Ajuda Humanitária.
O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a proliferação de drones armados baratos e adaptáveis em conflitos elevou os riscos. Em março, ataques com drones atingiram Goma, no leste da República Democrática do Congo, e mataram pelo menos três pessoas, incluindo um trabalhador humanitário francês, enquanto comboios de ajuda no Sudão e na Ucrânia foram atingidos repetidamente.
Gaza foi o local mais mortal para trabalhadores humanitários em 2025, com 186 mortes, seguida pelo Sudão. A agência da ONU para refugiados palestinos relatou ainda que pelo menos 393 funcionários foram mortos na Faixa de Gaza desde o início da guerra entre Israel e Hamas, em 7 de outubro de 2023.