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Mundo

ONU denuncia milhares forçados a fraudes digitais em redes asiáticas

Relatório revela abusos graves como torturas e exploração sexual em centros no Sudeste Asiático e outros locais.

Redação Jornal de Brasília

20/02/2026 9h39

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Foto: Pixabay

A Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou que milhares de pessoas em todo o mundo foram forçadas a trabalhar para redes de fraudes digitais, muitas sediadas no Sudeste Asiático, sob condições desumanas. O relatório do Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, com centenas de testemunhos de vítimas, documenta violações graves como tortura, maus-tratos, exploração sexual, abortos forçados, privação de alimentos e confinamento solitário.

“A lista de abusos é avassaladora”, afirmou o Alto Comissário Volker Turk após a publicação do documento. Os casos ocorreram em centros de fraude localizados no Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos, entre 2021 e 2025, com relatos também em países africanos e americanos. As vítimas incluem cidadãos de diversos países, com presença significativa de asiáticos, além de europeus como França, Alemanha e Reino Unido, e latino-americanos como Peru, Colômbia, Brasil e México.

As pessoas eram obrigadas a cometer fraudes online, como roubo de identidade, extorsão e crimes financeiros. Sobreviventes descreveram complexos que se assemelhavam a “cidades autossuficientes”, com edifícios fortificados, muros altos com arame farpado e seguranças armados. Aqueles que não atingiam metas mensais de fraude sofriam punições severas. Muitos morreram ao tentar fugir, caindo de varandas ou telhados, enquanto os recapturados enfrentavam maus-tratos.

Nenhum dos entrevistados recebeu o dinheiro prometido pelas redes, que contaram com ajuda de policiais e guardas de fronteira, os quais também cometeram abusos. Em um relatório anterior de 2023, a ONU estimou que centenas de milhares de pessoas foram recrutadas à força para praticar burlas online.

Diante das denúncias, a ONU instou a implementação de operações de resgate coordenadas e seguras para as vítimas, além de programas de reabilitação para sobreviventes. Volker Turk apelou à comunidade internacional para atuar contra o fenômeno, que afeta principalmente o Sudeste Asiático, mas se espalha para outras regiões.

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