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ONU alerta para danos de gravidez precoce na A.Latina

Arquivo Geral

01/09/2011 15h36

A gravidez em adolescentes representa, além de problemas de saúde e pessoais, um empecilho para o desenvolvimento da América Latina, afirma em entrevista à Agência Efe o vice-diretor da divisão para América Latina e Caribe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Luis Mora.

“Muitas mães adolescentes abandonam a escola e, ao fazê-lo, interrompem sua educação. Por isso, muitas delas têm de aceder a empregos precários”, assinala Mora, que participa na cidade colombiana de Medellín de um fórum que analisa os resultados do Plano Andino de Prevenção da Gravidez Adolescente, formulado em 2007.

Ele acrescenta que, nesses casos, “há um ciclo intergeracional da pobreza, pois ocorre com muita frequência que os filhos e filhas dessas mães precoces também tenham gravidez precoce e eliminam ou limitam seu projeto de vida”.

Ao desempenhar empregos menos produtivos, diminuem as receitas do sistema de previdência e da estrutura tributária de seus países, explica Mora.

Um estudo do Organismo Andino de Saúde estima que, dos cerca de 7 milhões de mulheres adolescentes com idades entre 15 e 19 anos que vivem na região andina, pelo menos 1 milhão já são mães ou estão grávidas.

Este fenômeno causa, além disso, perda de vidas com o consequente custo de capital humano, lembra Mora, já que o risco de morrer antes durante ou depois do parto é quatro vezes maior entre as menores de 16 anos que, nas maiores de 20, ao mencionar um estudo publicado na revista científica “American Journal of Obstetrics and Gynecology”.

“Também em casos de gravidez adolescente, a taxa de mortalidade infantil, de crianças que morrem antes, durante ou depois do parto, é muito maior que em idades de mulheres mais adultas”, apontou.

Além disso, há “um grande impacto em matéria de saúde pública” porque os filhos de mães menores de 15 ou 16 anos “costumam ter mais baixo peso, mais complicações de tipo respiratório, etc.”, acrescentou.

Devido a que essas mães pertencem em sua maioria a classes sociais baixas, “requerem também de um investimento maior por parte do sistema de saúde para poder remontar a essas crianças”, indicou.

Na opinião do alto funcionário do UNFPA, a região deve “aproveitar o momento histórico que vive” em termos demográficos e promover a educação, o emprego e a prevenção de gravidez não desejada na juventude dentro dos próximos 10 ou 15 anos.

O “momento histórico” ao qual se refere Mora é que, atualmente, 106 milhões dos 588,6 milhões de habitantes da América Latina e do Caribe são pessoas de idades entre 15 e 24 anos, o que representa a maior geração de jovens da história.

“Se agora não se investir nessa população jovem, isso vai ter um impacto muito grande em termos de produtividade, em termos de capital humano, em termos de capital social”, advertiu.

Na reunião de Medellín, Mora está acompanhado dos ministros de Saúde do Chile, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Bolívia.

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