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Mundo

ONU adverte que não há <i>brotos verdes</i> para os mais pobres do planeta

Arquivo Geral

18/09/2009 0h00

A ONU advertiu hoje que não há perspectivas de “brotos verdes” para as povoações dos países em desenvolvimento afetadas pela crise financeira, que causou 100 milhões de novos pobres e 67 milhões de desempregados no planeta.

Em um relatório divulgado hoje, o organismo destaca que o efeito multiplicador da crise conseguiu dar marcha à ré a um bom número dos avanços em matéria de desenvolvimento conseguidos na última década.

Adverte que os “brotos verdes” que se vislumbram em algumas das principais economias não devem “cegar a realidade que um novo tipo de crise se estende através do mundo em desenvolvimento”.

“O relatório desenha um panorama que nos faz pensar”, disse na apresentação do estudo a vice-secretária-geral da ONU, a tanzaniana Asha-Rose Migiro.

Este documento faz parte dos esforços das Nações Unidas para dar voz aos mais pobres do planeta no debate sobre a crise que sustentarão os líderes do Grupo dos Vinte (G20) na cúpula da próxima semana em Pittsburg (EUA).

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviou esta semana uma carta aos líderes que vão participar do encontro, na qual pede o cumprimento da promessa dada em sua reunião anterior em Londres que ajudarão com US$ 1 trilhão a superar a crise nas nações mais pobres.

Esta assistência serviria para atenuar os efeitos da contração da economia global após o revés de um ano atrás de Wall Street, segundo o organismo mundial.

O relatório assinala que os Governos dos países em desenvolvimento estão esgotando os recursos a sua disposição para combater a queda da atividade econômica, por isso que se veem obrigados a cortar seus orçamentos por falta de dinheiro.

“Este não é o momento para os cortes”, insistiu o secretário-geral adjunto da ONU, Robert Orr, advertindo que medidas como reduzir a despesa de educação e saúde “recebem a paga depois”.

Segundo dados do Banco Mundial (BM) recolhidos pela ONU, o número de pessoas que sobrevivem com menos de US$ 1,25 ao dia aumentou em cerca de US$ 100 milhões em 2009, o que eleva para 1,3 bilhão o número de pessoas em extrema pobreza.

Como consequência, se antecipa que os registros em matéria de desnutrição, mortalidade infantil ou escolarização também sofram um revés após anos de progresso.

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