O Escritório para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (Ocha) da Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu hoje (30) que apenas 48% das doações que se destinam à reconstrução do Haiti foram obtidas.
De acordo com o organismo, há uma tendência de estagnação da arrecadação. As informações do Ocha foram divulgadas na véspera da realização da Conferência de Doadores por um Novo Futuro para o Haiti, em Nova York, que vai reunir, amanhã (31), representantes de cerca de 100 países incluindo o Brasil.
A porta-voz do Ocha, Elizabeth Byrs, afirmou hoje (30), em Genebra, na Suíça, que o total arrecadado, até o momento, é de US$ 718,9 milhões.
O especialista da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Haiti, Michel Forst, ressaltou que é necessário planejar um projeto de reconstrução do país que inclua a preservação de garantias para o futuro dos cidadãos.
Forst lembrou que, além da destruição física do país, os haitianos que viviam com dificuldades financeiras passaram para o estado de pobreza extrema e a morar em casas inadequadas. Segundo ele, o impacto destas condições pode ser “devastador” no que se refere aos direitos humanos.
O terremoto do dia 12 de janeiro destruiu o Haiti, atingindo prédios públicos, hospitais e casas. Pelo menos 222 mil pessoas morreram. Cerca de 1,3 milhão ficaram desabrigadas. Há dificuldades de organização e planejamento porque as instituições públicas também foram afetadas.
Uma espécie de força-tarefa da comunidade internacional foi lançada para a reconstrução do Haiti. O Brasil é um dos líderes deste processo. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, estará amanhã em Nova York para apresentar mais propostas de apoio para os haitianos.