A ONU revelou hoje que, uma semana depois do terremoto no Haiti, “ainda não existe um sistema formal de distribuição” da ajuda e que, apesar do envio em massa de assistência internacional, “as necessidades são maiores que a resposta” oferecida aos desabrigados.
Enquanto isso, as equipes de busca e resgate chegam a localidades fora de Porto Príncipe que também foram muito atingidas pelo terremoto, como Jacmel, Carrefour e Leogane.
Apesar das limitações ainda registradas na distribuição de ajuda, agravadas pelos problemas de segurança, cada vez mais vítimas recebem algum tipo de assistência, como alimentos, água e material de abrigo, assim como atendimento médico.
Segundo o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU, as prioridades são “as provisões médicas, a água, equipes de saneamento básico, tendas, colchas, comida e combustível”, além de veículos para transportar esses artigos.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA), a maior agência humanitária da ONU, implementou pontos de distribuição para cerca de 60 mil pessoas dentro e fora de Porto Príncipe, o que significa 40 mil a menos do que o informado inicialmente.
Esta diferença nos números de beneficiados se deve à falta de pessoal de segurança, assim como ao fato de que efetivos militares que ajudavam o pessoal do PMA a tirar as provisões de seus armazéns danificados pelo terremoto ficaram feridos.
Sobre isso, a ONU ditou regras de segurança a seu pessoal no Haiti, como a que indica que a distribuição de ajuda só poderá ser feita em companhia do pessoal de segurança adequado.
O organismo internacional afirmou também que uma das principais preocupações do Governo do Haiti é a revitalização das atividades econômicas.
Por essa razão, a zona industrial que é utilizada para armazenar a ajuda deverá ser liberada, de modo que a atividade industrial possa recomeçar.
Além disso, as atividades bancárias devem ser retomadas amanhã.
Do pedido de fundos de emergência da ONU para o Haiti, o Ocha informou hoje que recebeu financiamento de 21% dos US$ 575 milhões solicitados, com Estados Unidos (US$ 70 milhões) e Canadá (US$ 60 milhões) como principais doadores.
O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.
O Exército brasileiro informou que pelo menos 17 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.
A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor.