Várias associações de direitos humanos pediram hoje, em Genebra (Suíça), que a comunidade internacional aumente a pressão para que a Coreia do Norte diminua os abusos contra a população.
Aproveitando que a Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU realizará o Exame Periódico Universal (EPU) da Coreia do Norte em dezembro, organizações de direitos humanos, especialmente a Korean Bar Association (KBA), organizaram uma jornada de reflexão sobre a situação na Coreia do Norte.
Para se inteirar da situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, a KBA conta com a ajuda dos cerca de 2.000 dissidentes que, todos os anos, deixam o país rumo à Coreia do Sul.
“Apesar de a Coreia do Norte ter assinado quatro convenções internacionais de direitos humanos, não cumpre nenhuma. A tortura é generalizada e é o método mais comum para a obtenção de confissões falsas. Não existe direito a um julgamento justo e o tratamento às mulheres é humilhante, com casos recorrentes de assédio sexual, estupros e abortos forçados”, denunciou o advogado da associação, Kim tae Hoom.
Um Young Sun, outra ativista da KBA, disse ainda que, além de as mulheres mão terem “direito a usar calças nem a tirar carteira de motorista, o assédio sexual é comum e a violência doméstica, que é alta, não é combatida nem punida”.
“Na Coreia do Norte, existe a institucionalização da discriminação da mulher”, acrescentou.
Outra convidada para os debates na sede do CDH foi a norte-coreana conhecida como Eun-hye Kim. Ela, que é mãe de três filhos e não usa mais o nome verdadeiro, tentou fugir da Coreia do Norte através da China, mas foi detida, repatriada e mantida durante quatro anos em um centro de trabalhos forçados.
“Éramos constantemente maltratados. Recebíamos cerca de 20 grãos de milho por dia de comida, o mínimo para que sobrevivêssemos. Também fui obrigada a me divorciar, sob o pretexto de que, se o fizesse, meus filhos ficariam estigmatizados para sempre”, disse.
“Por causa dos trabalhos forçados e da fome, éramos como mortos-vivos. Não sei como consegui sobreviver”, disse a mulher, que finalmente conseguiu chegar à Coreia do Sul.
Como a China não reconhece os norte-coreanos que fogem de seu país como refugiados – mas como pessoas que cruzam a fronteira de forma ilegal -, sistematicamente eles são repatriados, a não ser que omitam sua identidade.
Isso, no entanto, os deixa em um limbo legal e expostos “aos riscos do tráfico de pessoas”, destacou a KBA.