Os efeitos da desaceleração econômica nos Estados Unidos podem ser amortecidos se a “capacidade de ajuste de sua economia” for aproveitada e se os obstáculos ao acesso aos mercados e outras medidas de distorção forem reduzidos, page o que contribuiria para melhorar a situação da população.
Esta é a previsão feita por um relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a política comercial americana, page que afirma que são necessárias correções quanto às elevadas ajudas aos setores agrícola e energético.
Com relação à situação em 2006, quando a OMC realizou a última avaliação sobre os EUA, o relatório de hoje destaca que Washington tomou novas medidas para liberalizar seu regime comercial, embora a maioria repouse sobre a base das preferências outorgadas a certos países.
Apesar de os EUA apoiarem oficialmente a Rodada de Doha, cujo objetivo declarado é aumentar a liberalização do comércio mundial em favor dos países em desenvolvimento através de um acordo multilateral, a atual Administração americana optou, na prática, por reforçar suas relações bilaterais e regionais.
Esta estratégia se reflete no fato de que, no início deste ano, os EUA já faziam parte de 14 acordos de livre-comércio (outros seis ainda não entraram em vigor), frente aos sete de dois anos atrás e três quando o presidente americano, George W. Bush, chegou à Casa Branca.
Além disso, o relatório da OMC recapitula as medidas vigentes nos EUA que afetam o comércio, começando pelas “restrições e controles das exportações por razões de segurança nacional e política externa, ou para atenuar a falta de poucos materiais”.
Nesta área, o Governo dos EUA oferece seguros e financiamento às exportações através de um órgão oficial de crédito, mas o relatório reconhece que, nos últimos anos, o custo oficial destes programas diminuiu significativamente.
Os EUA também provocam distorções nos mercados mundiais através de medidas que não estão diretamente ligadas ao comércio, como os auxílios internos (isenções fiscais, subsídios e programas de crédito) a seus produtores nacionais, principalmente agrícolas e vinculados à energia.
Em sua última notificação à OMC, que correspondia aos anos fiscais de 2003 e 2004, as autoridades americanas enumeram “430 programas de subvenções”, situação que afeta o resto do mundo, pois os “EUA estão entre os principais produtores e consumidores mundiais de vários produtos”, afirmam os analistas da entidade.
Baseando-se em estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o estudo destaca que a ajuda global à agricultura (inclusive medidas de fronteira e pagamentos oficiais) representou 11% da receita agrícola bruta.
No entanto, isto representa 5 pontos percentuais a menos do que dois anos antes.
Sobre o futuro da maior economia do mundo, a OMC afirma que as perspectivas de crescimento a curto prazo se deterioraram, em grande medida por causa do arrefecimento brusco do mercado imobiliário e pelas turbulências do crédito.
Esta situação “afetou consideravelmente os serviços financeiros”, destaca o relatório, que recomenda “melhorar a supervisão” neste setor.