Olmert fez suas declarações à imprensa no começo da habitual reunião do Gabinete Nacional na sede do Poder Executivo, em Jerusalém.
A referência do primeiro-ministro se deve à morte de dois soldados israelenses, David Rubin, de 21 anos, e Ahikam Amihai, de 20, em um ataque de palestinos em um vale próximo à cidade de Hebrom, na Cisjordânia, e ao assentamento judaico de Kiryat Arba, onde moravam.
O ataque aconteceu na sexta-feira passada, quando os dois, que estavam de folga, mas armados, passeavam na região. Antes de serem alvejados, eles mataram dois dos atiradores, cuja ação foi reivindicada pela Jihad Islâmica e uma milícia filiada ao Fatah.
“Não assumiremos nenhum compromisso sobre assuntos de segurança, e (nossa exigências) seguirão sendo parte integral de qualquer negociação com a ANP”, afirmou Olmert a ministros que não escondem suas reservas quanto à retomada das conversas de paz.
O ministro da Indústria e Comércio, Eliyahu Yishai, líder do partido ortodoxo Shas, pediu que Olmert suspenda as negociações com Abbas.
O primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, expressou no sábado seus pêsames ao presidente israelense, Shimon Peres, e prometeu que os organismos de segurança palestinos acabarão com as milícias que operam na Cisjordânia.
Os negociadores palestinos, liderados pelo ex-primeiro-ministro Ahmed Qorei, exigem que Israel suspenda as barreiras de controle militar na Cisjordânia e as restrições à população, entre outras mudanças, para incentivar o processo de paz.
O processo foi retomado este mês depois da Conferência de Annapolis, realizada em 27 de novembro nos Estados Unidos e promovida pelo presidente americano, George W. Bush.
Bush deve chegar a Israel no dia 9 de janeiro para uma visita oficial ao país e aos territórios palestinos. “Israel não fará mudanças na Cisjordânia para não expor seus cidadãos ao perigo até que a ANP adote medidas contra as organizações terroristas”, disse Olmert.
As autoridades militares israelenses permitiram que forças policiais palestinas operem com soldados uniformizados e armados nas cidades de Nablus, Tulkarem e, desde o Natal, também em Belém.
As autoridades israelenses autorizaram esta semana as forças de segurança palestinas a adquirirem 50 carros blindados sem metralhadoras para impor a ordem e a lei na Cisjordânia, assim como para implementar um decreto de Abbas que exige o desarmamento das milícias da resistência.
O ministro do Interior da ANP, Abdel-Razak al-Yahya, anunciou no sábado o desmantelamento da principal milícia filiada ao Fatah, as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, cujo um dos principais chefes, Zakaria Zubeidi, depôs suas armas meses atrás em virtude do decreto de Abbas.
No entanto, porta-vozes das Brigadas – que reivindicaram, juntamente à Jihad Islâmica, a morte dos dois israelenses perto de Hebrom – desmentiram imediatamente o anúncio do ministro.
“Estamos aqui e nunca entregaremos as armas. Continuaremos sendo os pioneiros da luta para devolver a dignidade e a liberdade ao nosso povo”, responderam os rebeldes.