A criação de emprego continua sem decolar no mundo, apesar da recuperação registrada em alguns indicadores macroeconômicos, e em 2011 haverá 203,3 milhões de pessoas desempregadas em nível global, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Isso representa uma taxa global de 6,1% e uma leve melhora em relação a 2010, de acordo com o relatório “Tendências mundiais de emprego 2011”, divulgado nesta segunda-feira pela OIT, que prevê poucas chances de o nível de emprego voltar, a curto prazo, aos níveis anteriores à crise econômica mundial.
O número de desempregados se situou em 205 milhões de pessoas em 2010, um número praticamente invariável em relação ao ano anterior e 27,6 milhões superior ao número registrado em 2007 (antes da crise), segundo o relatório.
A taxa mundial de desemprego foi de 6,2% em 2010, contra 6,3% do ano anterior, e segue muito acima da taxa de 5,6% registrada em 2007.
“O elevado nível de desemprego mundial contrasta marcadamente com a recuperação observada em vários indicadores macroeconômicos essenciais: o PIB real mundial, o consumo privado, o investimento bruto em capital fixo e o comércio mundial, que em 2010 já tinham se recuperado acima dos valores prévios à crise”, disse José Manuel Salazar-Xirinachs, diretor-executivo do setor de Emprego da OIT.
Segundo ele, a recuperação nos mercados de trabalho é muito “desigual”, pois de um lado há “um aumento contínuo do desemprego nas economias desenvolvidas e na União Europeia” enquanto de outro se nota “uma situação de estabilidade a ligeira melhora do desemprego na maioria das regiões em desenvolvimento”.
O analista citou um fenômeno relacionado com o emprego juvenil. Apesar do nível de desemprego entre os jovens ter diminuído, de 79,6 milhões em 2009 a 77,7 milhões em 2010 – taxas respectivamente de 12,8% e 12,6% -, “tais números não refletem a gravidade de como a crise afetou os jovens”.
“Em 56 países sobre os quais dispomos de dados, o mercado do trabalho conta com 1,7 milhão de jovens a menos que o previsto sobre a base das tendências observadas a mais longo prazo, o que reflete que o desânimo entre os jovens aumentou consideravelmente”, assinalou o responsável da OIT.
Ele ressalta que esses jovens não estão incluídos nos números de desemprego “porque nem sequer estão buscando trabalho ativamente”.