A Ofcom, agência reguladora das comunicações do Reino Unido, iniciou uma investigação contra o aplicativo de mensagens Telegram nesta terça-feira (21), devido a indícios de compartilhamento de material de abuso sexual infantil na plataforma.
A ação integra os esforços do governo britânico para proteger crianças de conteúdos prejudiciais online, com normas mais rigorosas estabelecidas pela Lei de Segurança Online de 2023 para plataformas como Facebook, YouTube e TikTok. O primeiro-ministro Keir Starmer tem pressionado por maior responsabilidade das big techs, incluindo uma reunião recente com executivos de mídias sociais e consultas sobre a possível proibição de acesso a essas redes para menores de 16 anos.
A Ofcom baseou a investigação em provas fornecidas pelo Centro Canadense de Proteção à Criança e em sua própria avaliação da plataforma. “À luz disso, decidimos abrir uma investigação para examinar se o Telegram falhou, ou está falhando, em cumprir suas obrigações em relação ao conteúdo ilegal”, afirmou a agência em comunicado.
Em resposta, o Telegram negou categoricamente as acusações, destacando que, desde 2018, implementou algoritmos de detecção que praticamente eliminaram a disseminação pública de material de abuso sexual infantil. A empresa, sediada em Dubai, expressou surpresa com a investigação e preocupação de que ela faça parte de um ataque mais amplo às plataformas que defendem a liberdade de expressão e o direito à privacidade.
O Telegram já enfrentou sanções em outros países, como uma multa em fevereiro pelo regulador australiano de segurança online por demora em responder sobre medidas contra abuso infantil e material extremista violento.
Além do Telegram, a Ofcom anunciou investigações contra as plataformas Teen Chat e Chat Avenue, verificando se elas cumprem obrigações de proteger crianças britânicas contra riscos de aliciamento. “Essas empresas precisam fazer mais para proteger as crianças, ou enfrentarão sérias consequências de acordo com a Lei de Segurança Online”, alertou Suzanne Cater, diretora de Fiscalização da Ofcom.