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Mundo

OEA e UE decidem mandar seus embaixadores de volta a Honduras

Arquivo Geral

24/09/2009 0h00

A Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia (UE) decidiram hoje que seus embaixadores em Honduras devem voltar à capital do país, Tegucigalpa, cidade que deixaram após o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, anunciaram esta decisão após a reunião realizada em Nova York com representantes de 11 países do continente americano, entre eles o Brasil, da Secretaria-Geral Ibero-Americana, da Comissão Europeia e da futura Presidência temporária espanhola na UE.

Os participantes do encontro também concordaram em apoiar o pedido do Brasil, em cuja Embaixada em Tegucigalpa Zelaya recebeu abrigo, para uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a situação em Honduras.

Além disso, ficou acordado o envio o mais rapidamente possível, provavelmente até sexta-feira ou sábado, uma missão diplomática a Tegucigalpa composta por ministérios das Relações Exteriores de países americanos com o objetivo de iniciar uma mesa de negociação.

Todos decidiram atender ao pedido do Governo constitucional hondurenho, que pediu a volta dos embaixadores a Honduras já que Zelaya está novamente no país, com o objetivo de apoiar “no local” essa mesa de diálogo, destinada a negociar uma saída pacífica para a crise.

“Chegou o momento de retornar e ajudar na busca de uma solução pacífica”, manifestou Moratinos.

Para Insulza, o momento atual, com Zelaya no país, representa “uma grande oportunidade para negociar e promover uma saída pacífica” que restitua a legalidade no país.

O chefe da diplomacia espanhola revelou que conversou ontem com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a qual ratificou que os Estados Unidos estão “em plena sintonia” com as negociações da OEA e da UE.

Segundo Moratinos, os EUA estão encarregados das “conversas exploratórias”, o primeiro passo necessário antes da convocação de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU.

Insulza insistiu na importância da missão de chanceleres que espera poder entrar em Honduras o mais rápido possível, “na medida em que tenham avião e aeroporto” – os terminais aéreos internacionais hondurenhos estão fechados.

Segundo o secretário-geral da OEA, o Governo de fato hondurenho disse que está disposto a receber a missão. Antes, um grupo da organização visitará Honduras e entrará no país por terra se necessário.

Insulza quis deixar claro que o objetivo dos chanceleres não é se certificar a gravidade da situação, mas propiciar o início de um diálogo real entre as partes.

Já Moratinos sustentou que tanto a OEA como a UE mantêm sua condenação ao golpe de Estado e reivindicam a restituição de Zelaya e o restabelecimento da ordem constitucional.

A respeito da decisão da Comissão Europeia e das Nações Unidas de não enviar observadores eleitorais a Honduras, Moratinos disse que a presença destes voltará a ser estudada caso haja uma mudança na situação atual em território hondurenho.

O ministro espanhol descartou a possibilidade de que o Governo de fato hondurenho rejeite a volta dos embaixadores, já que as Embaixadas não deixaram de funcionar em Tegucigalpa sob o comando dos encarregados de negócio.

Moratinos não quis dar uma data para a volta dos embaixadores europeus, já que a Presidência sueca da UE vai consultar a todos os países-membros. “Imagino que será uma questão rápida”, concluiu.

A próxima segunda-feira marca três meses do golpe de Estado que tirou Zelaya do poder e do país. Nenhum país reconheceu o Governo golpista presidido por Roberto Micheletti.

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