“Se o impasse não for resolvido logo, chegaremos a um final que será profundamente negativo” para Honduras, afirmou o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, em seu discurso no começo da reunião.
O secretário-geral reafirmou que é necessário “voltar à institucionalidade democrática que imperava antes” da derrocada de Zelaya, no dia 28 de junho, e assim “terminar com sanções que nunca” quiseram impor a Honduras, como a suspensão da OEA, entre outras medidas da comunidade internacional.
A missão liderada por Insulza é formada pelos ministros das Relações Exteriores da Costa Rica, Bruno Stagno; do Equador, Fander Falconí; de El Salvador, Hugo Martínez; da Guatemala, Haroldo Rodas, e do México, Patricia Espinosa.
Também fazem parte da delegação os chanceleres do Canadá, Peter Kent, e da Jamaica, Ronald Robinson; o subsecretário de Estado americano para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon; os vice-ministros de Relações Exteriores do Panamá, Melitón Arrocha, e da República Dominicana, José Manuel Trullols, entre outros.
Insulza convocou as partes envolvidas na crise em Honduras a dialogar “sem intenções ocultas, com boa vontade”, porque, segundo ele, a situação no país está “insustentável”.
Em discurso, o ministro das Relações Exteriores do Governo de fato, Carlos López, pediu para que sejam encerradas, “o mais breve” possível, “as medidas discriminatórias estabelecidas desde o exterior contra Honduras”, porque “afetam a população mais pobre”.
López reiterou o pedido de que “se normalize a situação dentro da embaixada do Brasil em Tegucigalpa (onde permanece Zelaya), em respeito ao que estabelecem as convenções sobre o direito de asilo”.
O ministro hondurenho também exigiu “que sejam desarmados, se isso não aconteceu ainda, os estrangeiros e cidadãos do país que estão irregularmente na embaixada brasileira”, onde “só funcionários do Brasil deveriam exercer autoridade, e fora dela, só as autoridades hondurenhas”.
Insulza pediu para que no diálogo “sejam considerados todos os pontos colocados no Acordo de San José”, proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, em julho.
Segundo o secretário-geral da OEA, “o acordo é claro em cinco aspectos: o restabelecimento do presidente eleito pelo povo hondurenho”; a formação de um Governo de união nacional, a “garantia” de Zelaya de não promover uma Assembleia Constituinte, concessão de anistia política e mecanismos de supervisão internacional.
O ministro de Governo de Zelaya e chefe de sua delegação, Víctor Meza, disse que participa do diálogo “para olhar para frente” e vê o Acordo “como a saída mais adequada” para a crise.
“O importante é não trair nem abandonar o espírito do Acordo de San José, essa é a nossa posição”, especificou Meza.
Para o ministro das Relações Exteriores do Canadá, Peter Kent, “todos os envolvidos entendem que está perto o momento em que esta crise tem que ser definitivamente resolvida”.
“Este ano foi difícil para Honduras, mas os últimos meses de 2009 podem ser positivos”, considerou Kent, que participou da abertura do diálogo como presidente temporário do G-16, grupo de países e organizações que oferecem ajuda a Honduras.
Pouco antes de começar o diálogo, a frente de resistência popular que apoia Zelaya advertiu que a restituição deste “não é negociável”.
Os representantes do governo interino são a ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, Vilma Morales, o empresário Arturo Corrales e o advogado Armando Aguilar. Já Zelaya é representado, além de Víctor Meza, por sua ministra de Trabalho, Mayra Mejía, e pelo sindicalista Juan Barahona.
A Polícia também impôs um rigoroso cordão de isolamento nos arredores e dentro do hotel onde acontecem as discussões, que procuram uma saída política para encerrar a crise hondurenha, que entrou ao quarto mês.