Tornou-se comum no Ocidente a afirmação de que a China é a locomotiva do mundo. Embora os indicadores econômicos sejam conhecidos e não deixem dúvida quanto ao papel da economia chinesa no mundo, quando se vai à China, a prova vem pelos sentidos. Os sinais de crescimento enchem os olhos.
Com a maior população do planeta (1,4 bilhão de habitantes) e a segunda maior área geográfica, a China passou a ter o terceiro Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2008 (US$ 4,4 trilhões, atrás dos Estados Unidos e do Japão) e deve assumir a segunda posição em 2010. Além de ter as maiores reservas cambiais, ocupa a primeira posição no ranking de países exportadores. Apesar da crise internacional iniciada em 2008, que levou muitos países à recessão, o PIB deve crescer 8,3% em 2009 e 9,5% em 2010.
Estes sinais começam pela porta da entrada principal, a capital Pequim. Moderna, com prédios futuristas e arrojados, alguns combinando modernidade com traços da arquitetura tradicional, Pequim é uma cidade limpa e ajardinada. Realizou investimentos enormes para os Jogos Olímpicos de 2008, que deixaram edificações, como o estádio Ninho do Pássaro e a Vila Olímpica, cujos apartamentos agora estão sendo vendidos por meio de financiamento.
Os jogos passaram, mas as obras continuam. Os guindastes pontilham a paisagem e as obras viárias estão por toda parte. As bicicletas ainda são muito usadas, mas os carros de luxo é que chamam a atenção.
Na China rica e desenvolvida, um sinal dos novos tempos são os shoppings centers, lotados sobretudo por jovens ocidentalizados, nos quais todas as marcas de sucesso no Ocidente podem ser compradas, com uma voracidade desconcertante para um país socialista.
É verdade que existe muita pirataria. Na China pode-se comprar réplica de produtos que vão de uma bolsa Chanel a um iPhone. Mas, nos shoppings, tudo é original e os preços são ocidentais. Como há quem compra, raramente vê-se uma loja anunciando liquidações ou promoções de vendas.
Há outros números, afora os macroeconômicos, que indicam a exuberância do país. A China é a maior produtora mundial de televisores (cerca de 83 milhões de unidades por ano) e é o segundo maior país em acessos à internet, mais de 300 milhões, embora alguns sites e portais ocidentais sejam inacessíveis.
O país é o terceiro maior produtor de computadores e itens de informática. De cada dez tratores produzidos no mundo, a China fabrica oito, assim como sete em cada dez máquinas fotográficas. É a primeira produtora e consumidora de carvão e aço e usa um terço do cimento produzido no mundo.
O caso do cimento é exemplar. Se a China puxa a economia do mundo, as obras de infraestrutura puxam a economia chinesa. Guindastes, telas cobrindo esqueletos de prédios, tapumes e desvios, pontes, portos, linhas de trem e de metrô, hidrelétricas. Mais impressionante ainda é o ritmo com que as obras andam.