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Obama propõe reduzir déficit aumentando impostos para os mais ricos

Arquivo Geral

19/09/2011 16h43

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou nesta segunda-feira um plano que, segundo ele, cortará em quase US$ 4 trilhões o déficit do país em dez anos, mediante redução de despesas – incluindo o fim de duas guerras – e aumentos dos impostos para os mais ricos.

 

A proposta que Obama fez durante um discurso nos jardins da Casa Branca contempla um aumento da receita do Estado em US$ 1,5 trilhão, procedente do aumento do imposto para os indivíduos mais ricos e da eliminação da maior parte das isenções concedidas durante a Presidência do republicano George W. Bush.

 

Outros US$ 2 trilhões provirão de reduções nas despesas do Governo.

 

Entre elas estão os US$ 1,1 trilhões gastos nas guerras do Afeganistão e do Iraque, US$ 580 bilhões em economias nos programas de assistência sanitária para a terceira idade, e US$ 430 bilhões no serviço da dívida nacional porque, segundo o plano, os EUA fariam menos empréstimos.

 

Ainda antes que Obama explicasse seu plano, que pretende recuperar o apoio da classe média antes das eleições de 2012, o Partido Republicano, que tem maioria na Câmara dos Representantes, expressou sua rejeição.

 

No domingo, em um programa do canal de televisão “Fox”, o representante Paul Ryan, republicano de Wisconsin e presidente do Comitê de Orçamento da Câmara, sustentou que Obama encoraja um espírito de “luta de classes”, o que pode ser bom, disse, para suas aspirações políticas, mas resulta “nefasto” para a economia.

 

“Isto não é luta de classes”, respondeu Obama nesta segunda-feira. “Isto é matemática. É simplesmente uma questão de equidade pedir que todos paguem sua cota justa”.

 

“As famílias de classe média não deveriam pagar impostos mais altos que os milionários e os multimilionários”, acrescentou. “Não é correto que neste país um professor, uma enfermeira ou um operário da construção, que ganha US$ 50 mil por ano, pague impostos mais altos que alguém que ganhe US$ 50 milhões”.

 

Obama citou o caso do multimilionário Warren Buffett, que admitiu publicamente que não é lógico que ele pague menos impostos por suas rendas que sua secretária.

 

Tanto nas discussões sobre o limite da dívida nacional – que puseram em agosto os EUA pela primeira vez em sua história à beira da moratória- como nos debates sobre o estímulo à economia e a criação de empregos, a fórmula do Partido Republicano é que não haja aumentos de impostos e se reduzam as despesas do Governo.

 

Aumentar os impostos aos “criadores de empregos”, como definem os republicanos as grandes fortunas, só contribui para frear o investimento, principalmente em épocas de crise como esta.

 

O plano de Obama terá que ser analisado pelo comitê bipartidário criado em agosto por conta do compromisso de última hora que pôs fim ao debate sobre o limite da dívida.

 

O comitê iniciou seus trabalhos na semana passada e deve concluí-los no final de novembro com propostas específicas para uma redução de pelo menos US$ 1,3 trilhões no déficit da próxima década.

 

Segundo Obama, que em agosto tinha apresentado já um plano que apontava a redução do déficit em US$ 4 trilhões, sua proposta de inclui US$ 2 de redução de despesas por cada US$ 1 em impostos.

 

Na semana passada o presidente apresentou ao Congresso um plano de quase US$ 450 bilhões para a criação de empregos, cujo financiamento deverá ser decidido também pelo comitê.

 

Os republicanos criticaram também esse programa porque inclui aumento do gasto público, embora seja para investimentos em reparação ou construção de escolas, pontes, estradas e aeroportos.

 

Os EUA tiveram superávits fiscais nos últimos quatro anos do Governo do presidente Bill Clinton, e desde então acumulou déficits a cada ano, agravados pelas despesas de duas guerras travadas enquanto o presidente George W. Bush baixou os impostos para os mais ricos.

 

A recessão econômica entre dezembro de 2007 e junho de 2009 agravou o desequilíbrio fiscal pela queda das arrecadações e os incrementos de despesas em programas sociais como o seguro-desemprego, o atendimento médico de pessoas sem seguro de saúde, os cupons de alimentos e o subsídio a imóveis.

 

No período fiscal de 2009, o déficit foi de US$ 1,3 trilhões, equivalente a quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB). No ano fiscal de 2010 caiu para 8% do PIB.

 

A previsão é que o ano fiscal de 2011, que será fechado no dia 30 de setembro, registre um déficit de aproximadamente US$ 1,6 trilhões que equivalem a 11% do PIB.

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