Ao contrário da maioria dos 65 líderes que devem comparecer à reunião, Obama não participará da cerimônia de encerramento do evento, nos dias 17 e 18.
Mesmo assim, sua presença em Copenhague foi bem recebida, já que dá um impulso necessário a um processo internacional carente de consenso a menos de duas semanas do início da conferência.
“Acho que é crítico que o presidente Obama compareça”, disse hoje Yvo de Boer, secretário-geral da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, em entrevista coletiva na Alemanha.
“O mundo espera que os EUA apresentem um objetivo de redução de emissões e que ajude financeiramente os países em desenvolvimento”, afirmou De Boer.
O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, comentou que “a visita ressalta o desejo do presidente de contribuir para um acordo ambicioso e global em Copenhague”.
A esta altura, a Dinamarca é praticamente o único país que ainda tem esperança de conseguir um acordo na cúpula.
O objetivo inicial da conferência era gerar um novo tratado global sobre mudança climática para limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa que substituiria o Protocolo de Kioto, que vence no final de 2012.
Segundo esse novo convênio, as nações desenvolvidas se comprometeriam a alcançar determinados objetivos para 2020 e os países em desenvolvimento aceitariam desacelerar o ritmo de aumento de suas emissões.
Ao mesmo tempo, as nações ricas ajudariam as mais pobres a fazer frente aos desafios climáticos.
Entretanto, as esperanças de conseguir um acordo viraram fumaça em parte devido à incerteza sobre o que os EUA fariam.
Obama transformou a luta contra a mudança climática em uma das prioridades de seu mandato, mas a legislação para materializar os cortes de emissões está travada no Senado americano.
A versão já aprovada da Câmara de Representantes, que deverá ser harmonizada com a que passar no Senado, propõe cortar as emissões em quase 17% até 2020 frente aos níveis de 2005, o objetivo proposto hoje por Obama.
A Casa Branca disse hoje que o presidente americano explicará na capital dinamarquesa o caminho a seguir para atingir seu objetivo final de reduzir as emissões em 83% até 2050.
A residência oficial assinalou que isso implicaria na citada redução de 17% para 2020, um corte de 30% para 2025 e outro de 42% para 2030, culminando com o 83% em 2050.
Segundo o Governo americano, esses objetivos demonstram “uma contribuição significativa a um problema que os EUA não deram atenção durante muito tempo”.
Os EUA são o último dentre mais de 30 países industrializados a fixar um objetivo de redução de emissões para as duas semanas de negociações que começam em 7 de dezembro.
A União Europeia se comprometeu a reduzir suas emissões em 20% para 2020 em relação aos níveis de 1990.
Já o Governo do Japão disse que reduzirá suas emissões em 25% até 2020 frente aos níveis de 1990 caso outros países façam promessas similares.
Especialistas dizem que a redução de 17% citada por Obama equivaleria a apenas 3% se o ano de referência fosse 1990 em vez de 2005.
Nações em desenvolvimento como a China pediram que os EUA e outros países desenvolvidos reduzam suas emissões entre 25% e 40% até 2020 frente aos níveis de 1990.
Hoje, De Boer disse que todos os compromissos conjuntos firmados até agora não chegam ao nível necessário para frear o aquecimento do planeta.
“Não há tempo a perder”, alertou, às vésperas de uma cúpula que dá poucas esperanças de que será bem-sucedida.