O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou hoje uma chamada à comunidade internacional para abrir “uma nova era de cooperação” a fim de enfrentar os desafios comuns, e se declarou disposto a agir “de modo corajoso e coletivo”.
“Defenderei os interesses de meu país e de meu povo, e não vou pedir desculpas por isso, mas é minha firme crença de que, nos tempos em que vivemos, mais do que nunca, os interesses de nossos países e de nossos povos são comuns”, disse Obama, em seu primeiro discurso perante a Assembleia Geral da ONU.
“Chegou o momento de adotar uma nova era de aproximação baseada nos interesses mútuos e no respeito mútuo, e esta tarefa deve começar já”, afirmou.
Obama criticou duramente as ocasiões em que a ONU, criada para resolver os problemas mundiais, se transformou “frequentemente em um fórum para semear a discórdia, em vez de buscar pontos de acordo”.
Por isso, expressou a vontade de seu país de recuperar o multilateralismo e enumerou uma série de medidas já adotadas com esse objetivo, entre elas a colaboração com o Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) para fazer frente à crise econômica mundial e a decisão de fechar a prisão de Guantánamo (Cuba).
O líder americano afirmou que seu país “procurou, com palavras e ações, uma nova era de aproximação ao mundo”, mas destacou que os Estados Unidos não podem resolver sozinhos os problemas globais.
“Chegou o momento de todos nós adotarmos a parte de responsabilidade que nos diz respeito para uma resposta global a desafios globais”, disse.
“Se formos honestos conosco mesmos, devemos admitir que não estamos assumindo esta responsabilidade”, disse Obama à comunidade internacional, ao enumerar problemas como o terrorismo, os conflitos de longa duração, o genocídio e a proliferação nuclear como exemplos da necessidade de fazer mais.
“A medida de nossas ações ainda deixa muito a desejar frente à magnitude de nossos desafios”, afirmou.
“A escolha é nossa. Podemos ser lembrados como uma geração que optou por prolongar as disputas do século XX no século XXI, ou podemos ser uma geração que se une para servir aos interesses comuns dos seres humanos”, disse o chefe da Casa Branca.
A cooperação, de acordo com Obama, deve ter quatro pilares: a não-proliferação, a promoção da paz e a segurança, a preservação do planeta e uma economia global que dê oportunidades a todos.
“Devemos conter a expansão das armas nucleares e buscar a meta de um mundo sem elas”, afirmou.
Neste sentido, fez uma advertência aos regimes do Irã e da Coreia do Norte, de que, se continuarem adiante com seus programas nucleares, “terão que prestar contas”.
Também advertiu que não se permitirá “refúgios para que a Al Qaeda lance ataques a partir do Afeganistão ou de qualquer outra nação”, e expressou seu compromisso em buscar uma paz duradoura no Sudão.
Além disso, “continuarei buscando uma paz justa e duradoura” entre israelenses, palestinos e mundo árabe, disse.
“Sei que isso será difícil, mas todos nós devemos decidir se somos sérios acerca da paz ou só falamos da boca para fora”, disse Obama, ao indicar que os EUA devem tanto apoiar a segurança de Israel quanto exigir que esse país respeite “os direitos e reivindicações legítimos dos palestinos”.
Sobre o combate à mudança climática, disse que “os dias em que os Estados Unidos arrastavam os pés acabaram”.
Em relação ao crescimento econômico, Obama disse que não será sustentado ou compartilhado, a menos que todos os países assumam suas responsabilidades.
“Os países ricos devem abrir seus mercados a mais produtos e estender a mão aos que têm menos, enquanto reformam as instituições internacionais, para dar mais voz a mais países”, disse.
Além disso, os países em desenvolvimento “devem eliminar a corrupção, que é um obstáculo para o progresso”, acrescentou.