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Mundo

Obama e Hatoyama prometem renovar relação entre os EUA e o Japão

Arquivo Geral

13/11/2009 0h00

 O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, expressaram hoje o compromisso de renovar a relação entre os dois países, adaptada aos novos tempos.

Durante uma hora e meia, os governantes falaram sobre assuntos como a guerra no Afeganistão, os programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte e com relação ao futuro da base americana de Futenma na ilha japonesa de Okinawa, centro de sérias tensões entre os dois países.

Embora os Governos sejam firmes aliados desde o pós-guerra, a partir da chegada ao poder em setembro, Hatoyama tem reiterado que quer uma relação menos “dependente” dos EUA e se declarou favorável de fortalecer seus laços com a Ásia, onde a China tem um peso cada vez maior.

Ao longo da entrevista coletiva, ambos os governantes se esforçaram em ressaltar que os dois países mantêm uma relação igualitária. Obama afirmou que a relação representa “o pilar da segurança” no continente asiático.

Hatoyama reforçou que a aliança continua como a base da política externa de seu país. Mas “diante das transformações atuais e do clima, eu gostaria de aprofundar a relação e de criar uma nova aliança EUA-Japão que seja construtiva e orientada ao futuro”, disse.

Descrito como um exemplo da “renovação” da aliança, o assunto base de Futenma ocupou boa parte do tempo da conversa entre os governantes, que concordaram em deixar o futuro destas instalações nas mãos de uma comissão de trabalho que decidirá “o mais rápido possível” sobre o destino da base militar.

Os Estados Unidos querem dar continuidade com o acordo assinado em 2006 para transferir a base – atualmente situada em meio a uma cidade de 92 mil habitantes – para uma área menos povoada da ilha, enquanto Hatoyama revelou sua inclinação para que a base deixe o território japonês.

Depois de admitir que a decisão definitiva sobre Futenma não será fácil, o primeiro-ministro japonês ressaltou que o adiamento tornará a questão ainda mais complicada.

Os dois líderes ainda abordarão assuntos como o conflito no Afeganistão, após o Japão ter anunciado que destinará até US$ 5 bilhões durante os próximos cinco anos à reconstrução, mas retirará os navios cisterna, que abasteciam os navios no mar do Índico.

Hatoyama justificou sua decisão de retirar os navios cisterna ao afirmar que para o Japão “fazia mais sentido outro tipo de assistência”.

Os líderes também abordaram temas como a mudança climática, o programa nuclear da Coreia do Norte e a não-proliferação de armas.

A economia ocupou uma parte marginal nas conversas até agora, o tema será tratado em um jantar que compartilharão nesta noite, contou Hatoyama.

Em comunicado conjunto, ambos os líderes expressaram o mesmo desejo de diminuir as emissões de gases poluentes em 80 % para 2050.

Emitiram também uma declaração conjunta na qual insistiram a Coreia do Norte para retomar as negociações de seis lados sobre seu programa nuclear e advertiram que esse programa nuclear representa uma “grave ameaça” para a proliferação.

O Japão organizará em janeiro uma conferência asiática contra a não-proliferação, prévia à cúpula prevista para a primavera de 2010 em Washington.

Obama, que apresentou uma proposta para conseguir um mundo sem armas nucleares, revelou na entrevista coletiva que seria “apropriado” para ele visitar as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

Obama completará sua visita a Tóquio amanhã, com um discurso sobre o envolvimento dos EUA em Tóquio e um almoço com o imperador Akihito e a imperatriz Michiko, antes de viajar a Cingapura para participar da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), a segunda etapa de sua viagem pelo Extremo Oriente.

O presidente americano deve completar sua viagem com uma visita de Estado à China e um parada em Seul.

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