Em entrevista coletiva com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Estrasburgo, onde ambos participarão da cúpula do 60º aniversário da Otan, Obama assegurou que a ameaça norte-coreana “não somente é prejudicial, mas recupera a linguagem que levou esse país ao isolamento durante tanto tempo”.
Segundo explicou Obama, se a Coreia do Norte proceder ao lançamento trabalhará com todas as partes interessadas para tomar medidas.
“Pyongyang não pode ameaçar a segurança de outros países com impunidade”, assegurou o presidente americano.
A Coreia do Norte assegurou que, se a climatologia não impedir, lançará amanhã o que afirma ser um satélite de comunicações e que os EUA acreditam que é um míssil Taepodong-II.
Em sua entrevista coletiva, o presidente americano também se referiu à Rússia e sua recente reunião, na quarta-feira, com o presidente do país, Dmitri Medvedev.
A normalização das relações com Moscou será um dos assuntos que serão abordados na cúpula da Otan que começa esta noite com um jantar no balneário alemão de Baden-Baden.
Segundo explicou Obama, é possível manter uma colaboração com a Rússia sobre assuntos de interesse mútuo apesar de persistirem “diferenças básicas” em assuntos como a invasão da Geórgia em agosto passado.
Esse diálogo teria como eixo a manutenção da estabilidade ao mesmo tempo em que se ressalta o direito à independência e a soberania “de todos os países da Europa, estejam no centro, leste ou sul”, explicou, em clara alusão ao que aconteceu na Geórgia.
Outro assunto no qual se pode colaborar com Moscou, acrescentou, é nos esforços para impedir que o Irã fabrique uma arma nuclear.
Embora o Irã tenha direito a um programa nuclear civil, declarou, “há uma clara linha para evitar uma corrida de armamento atômico no Oriente Médio”.
O presidente americano expressou também seu apoio à Otan ao completar seu 60º aniversário e lembrou que a Aliança “foi um pilar da política externa dos EUA durante todo este tempo e continuará sendo”.
“Queremos aliados firmes e capacidades defensivas mais sólidas, com o objetivo de atuar em uníssono nos desafios que encaramos”, declarou.
Obama e Sarkozy abordaram também a situação no Afeganistão, onde os EUA querem que seus aliados façam um maior esforço.
Sarkozy disse que não aumentará sua contribuição de soldados, mas expressou sua disposição de enviar mais gendarmes (agentes da guarda civil) para a formação da Polícia afegã e a contribuir com dinheiro.
Trataram também sobre o fechamento da prisão de Guantánamo e o pedido dos EUA aos países europeus de acolher presos que ainda representem uma ameaça, mas não podem ser enviados a seus países de origem.