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Obama consulta líderes do Congresso sobre estratégia militar no Afeganistão

Arquivo Geral

06/10/2009 0h00


 O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu hoje em particular com cerca de 30 líderes democratas e republicanos do Congresso para avaliar as opções no Afeganistão, na que será uma de suas decisões mais importantes como comandante-em-chefe.

Obama se reuniu por mais de uma hora com membros dos comitês legislativos com jurisdição em temas de defesa e política externa e que são chave para a conjuntura que os EUA enfrentam na guerra no Afeganistão, que amanhã completa oito anos.

O líder se reunirá amanhã com seus assessores de segurança nacional e comandantes militares, para analisar principalmente a situação no Paquistão, na que será a terceira de pelo menos cinco reuniões esta semana para analisar as opções sobre a mesa para a região.

Em declarações aos jornalistas ao sair do encontro, tanto democratas quanto republicanos de ambas as câmaras do Congresso disseram confiar em que Obama tomará a decisão correta, mas deixaram claro que há uma “diversidade de opiniões” em torno de qual seria a estratégia a ser seguida.

“Está claro que o presidente se encaminha na direção correta, (elaborar) uma estratégia antes de (pedir) recursos”, disse o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid.

Enquanto isso, a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, disse que a revisão da Casa Branca deve levar em conta os elementos de segurança, esforços de reconstrução, assuntos diplomáticos e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Sobre a crescente insatisfação popular com a guerra, o senador republicano e ex-candidato presidencial John McCain considerou que, no final, a opinião pública apoiaria a ampliação do conflito “se fosse bem explicado”.

“O tempo não está a favor”, advertiu McCain, firme partidário do envio de mais tropas e para quem os conselhos dos generais David Petraeus e Stanley McChrystal devem ter “grande peso”.

Nesse sentido, McCain considerou que a análise de McChrystal sobre a situação atual “não só é o correto, mas deve ser aplicada o mais breve possível”.

O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, mencionou que um número significativo de líderes da oposição apoiaria Obama se sua estratégia contar com a aprovação dos comandantes na região.

O encontro, o primeiro do qual participam líderes da oposição, aconteceu no momento em que o Congresso analisa uma lei de despesas em defesa para o ano fiscal em andamento, mas enfrenta grandes rachas a respeito do envio de mais tropas ao Afeganistão.

Atualmente, os Estados Unidos contam com cerca de 68 mil soldados no Afeganistão, incluindo os 21 mil autorizados por Obama no começo do ano.

Em 27 de março, Obama disse, em discurso, que sua meta era desmantelar e destruir a rede terrorista Al Qaeda, mas a Casa Branca sustenta agora que, embora a retirada não seja uma opção, o líder não tomará uma decisão apressada.

Obama “tomará uma decisão, seja ou não popular, com base no que acredita que está nos melhores interesses para o país”, disse, em entrevista coletiva, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, ao garantir também que sua estratégia não dependerá de partidários ou críticos.

O encarregado das tropas americanas e da Otan no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, recomendou um reforço de mais 40 mil soldados para melhorar o combate a grupos insurgentes que, segundo ele, estão se fortalecendo.

As recomendações de McChrystal são apenas uma das peças no complicado xadrez no Afeganistão, onde as tropas dos EUA e de seus aliados europeus enfrentam os talibãs, liderados pelo mulá Omar, no sul do país asiático, e militantes da rede fundamentalista Haqqani, rumo ao leste, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, em inglês).

Nas próximas semanas, Obama terá que decidir se opta por continuar a luta contra os insurgentes, concentrar os esforços em operações de inteligência ou elaborar uma estratégia “híbrida”, segundo observadores.

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