A atitude menos belicosa do presidente americano, Barack Obama, com relação à imprensa na comparação com seu antecessor, George Bush, permitiu elevar os Estados Unidos para o 20º lugar na classificação de liberdade de imprensa no mundo, segundo o ranking apresentado hoje pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF).
Em uma evolução inquietante, no entanto, estão alguns países europeus. Conforme a entidade, o Velho Continente deve “dar exemplo para poder denunciar as violações em outras partes do mundo”.
Como exemplo, a organização cita os casos da França (43º), Itália (49º) e Eslováquia (44º), que anualmente descem na lista, assim como a Espanha (que caiu do 39º para 44º), onde existem jornalistas que ainda se sentem ameaçados.
Com relação à Europa, a principal ameaça diz respeito às novas legislações que questionam o trabalho dos jornalistas, e ilustra com o caso da Eslováquia, onde se introduziu um direito automático de réplica e o ministro de Cultura aumentou sua influência nas publicações.
Estes elementos permitiram que as jovens democracias como Gana na África, Uruguai, Trinidad e Tobago e Costa Rica na América Latina, estejam entre os 30 melhores.
Em todo caso, os 14 países que lideram o ranking da liberdade de imprensa são todos europeus, começando pelos escandinavos, mas também as três repúblicas bálticas (Estônia, Lituânia e Letônia), assim como a Irlanda, Holanda, Suíça, Bélgica, Malta e Áustria.
No final da fila permanece há anos o denominado pelo RSF o trio infernal: Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritréia. Quase lá está o Irã que figura em 172º lugar, por causa do regime de seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad.
“A reeleição do presidente colocou o país em uma autêntica crise e instaurou uma paranoia com relação aos jornalistas e blogueiros”, denúncia à organização.
Engrossando o final da fila aparece Cuba, que passa do 169º para 170º, abaixo de outros tão pouco exemplares no diz respeito à liberdade de imprensa como o Laos, China, Iêmen, Vietnã, Síria, Somália e Arábia Saudita.
Israel também piorou seu desempenho no ranking e desabou 40 postos, com relação a 2008, aparecendo agora em 93º lugar.
O motivo é a camada de chumbo imposta à imprensa que acompanhou sua operação militar contra a Faixa de Gaza, e que se traduziu em censura militar a todos os meios de comunicação e a detenção de cinco jornalistas, com três encarceramentos.