O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez o apelo nesta quinta-feira para que o Congresso deixasse de lado as rusgas partidárias e apoiasse um amplo plano para a criação de empregos avaliado em cerca de US$ 447 bilhões e que, segundo assegurou, dará “um impulso à economia”.
Um Obama que apostou por abandonar a retórica de discursos passados e concentrar-se em uma mensagem concreta e direta voltada à classe média compareceu nesta quinta-feira perante os legisladores para pedir o fim do “circo político” com o objetivo de focar na criação de empregos, pelo bem do país.
“As pessoas deste país trabalham duro para cumprir suas responsabilidades. A pergunta esta noite é se nós cumpriremos as nossas; se, diante de uma crise nacional, podemos deter o circo político e fazer algo de verdade para ajudar a economia”, questionou o presidente.
Para sair do papel, o plano, de maiores dimensões do que apontara a imprensa nos últimos dias, requer a aprovação do Congresso, onde os democratas controlam o Senado e os republicanos dominam a Câmara de Representantes, o que pode dar lugar a uma pugna partidária similar à protagonizada recentemente em torno do aumento do teto da dívida.
Prevendo esta disputa, a proposta de Obama contém vários elementos que podem agradar aos republicanos. Entre eles, cortes de impostos que representam quase a metade do valor do plano, segundo os cálculos da Casa Branca.
Além disso, o presidente se compromete a mostrar de onde sairá o custeio do plano.
Para isso, propõe que o “super comitê” que foi criado no Congresso para identificar antes de dezembro US$ 1,5 trilhão em cortes nos gastos públicos some a esse número o custo do plano, batizado como “Projeto de lei para os empregos americanos”.
No dia 19, apresentará, segundo antecipou, um plano complementar “mais ambicioso” para reduzir o déficit fiscal e a dívida pública, a prioridade absoluta do Partido Republicano e, sobretudo, de sua corrente mais conservadora, o Tea Party.
Essa próxima proposta “não só cobrirá o custo deste projeto de lei, mas estabilizará nossa dívida a longo prazo”, precisou.
Em seu discurso, Obama lembrou várias vezes que “tudo o que está aqui é o tipo de proposta que apoiaram tanto republicanos como democratas”.
Além das propostas para satisfazer os republicanos, o plano também contém iniciativas que agradam aos democratas, entre elas extensões dos subsídios aos desempregados e benefícios para contratar novamente professores demitidos por falta de fundos.
Está previsto também o investimento em infraestrutura, incluindo a reabilitação de imóveis vazios ou submetidos a execução hipotecária.
O plano “dará um impulso à economia que estagnou e dará confiança às empresas, porque, se elas investirem e contratarem, haverá clientes para seus produtos e serviços”, assinalou.
Em seu discurso, Obama também lançou uma nova chamada para a aprovação no Congresso dos tratados de livre comércio pendentes de ratificação com Colômbia, Panamá e Coreia do Sul.
“É o momento de abrir o caminho para uma série de acordos comerciais que simplificarão o caminho para as empresas americanas venderem seus produtos no Panamá, Colômbia e Coreia do Sul, ao tempo que ajudamos os trabalhadores cujos empregos foram afetados pela concorrência global”, assinalou.
Atualmente, o nível de desemprego dos EUA – a grande preocupação dos eleitores com vistas ao pleito de 2012 – está em 9,1% e os analistas veem poucas chances deste índice cair de maneira significativa a curto prazo.
Isso representa um problema para o presidente americano e suas aspirações à reeleição, no momento em que sua popularidade se encontra no nível mais baixo, segundo as pesquisas.
Com o discurso, o presidente também buscava recuperar a iniciativa política, perdida nos últimos meses em favor dos republicanos, que veem, pela primeira vez, uma possibilidade real de tomar a Casa Branca dos democratas no ano que vem.
Após o discurso, o presidente deve começar já nesta sexta-feira uma série de viagens por todo o país para promover seu plano, que a Casa Branca espera transformar em lei antes do fim deste ano.