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Obama anunciará mobilização de mais 30 mil soldados no Afeganistão

Arquivo Geral

01/12/2009 0h00

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciará hoje o envio de mais de 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão em seis meses e o começo da retirada para 2011, mas deixa em aberto o final.

Obama explicará hoje sua esperada nova estratégia para a guerra no país asiático em discurso na academia militar de West Point a partir das 20h (23h de Brasília).

Segundo altos funcionários, sob a condição de não serem identificados, porque a nova estratégia para o Afeganistão ainda não foi divulgada, a meta da nova estratégia é “desmantelar e derrotar a rede terrorista Al Qaeda e impedir seu retorno ao Afeganistão”.

Para isso, Obama ordenará o envio de 30 mil soldados adicionais no prazo de seis meses, um ritmo muito mais rápido do que se previa até agora e que contemplava a mobilização ao longo de um ano.

Com isso, pretende-se acelerar o treinamento das forças afegãs de modo que possam assumir a segurança de seu país até 2011, data na qual, segundo anunciará esta noite o presidente, as tropas americanas começarão a sair do país asiático.

Através desta medida, Obama quer indicar aos americanos, cada vez mais insatisfeitos com esta guerra e seu custo humano e econômico, que a permanência das tropas não tem “caráter ilimitado”, destacaram os altos funcionários.

No entanto, o que Obama não fará, destacaram, é anunciar uma data para completar a saída ou o ritmo da retirada.

Isso, disseram as fontes, será determinado pelas “condições no terreno”.

Os 30 mil soldados se juntarão aos 68 mil militares americanos que já estão no Afeganistão.

No total, a força internacional posicionada no local conta com cerca de 100 mil efetivos.

Estas tropas se concentrarão em intensificar o treinamento das forças afegãs e em enfrentar o talibã no sul e no leste do país, para assegurar as áreas povoadas e neutralizar o impulso que a insurgência adquiriu nos últimos anos.

Isso busca que as forças afegãs estejam em condições de enfrentar sozinhas o talibã e impedir que esse movimento possa derrubar o Governo legítimo do país.

Os EUA, destacaram os altos funcionários, esperam que os países aliados também aumentem suas contribuições.

Neste sentido, lembraram que Obama esteve em contato com vários líderes internacionais ao longo das últimas 48 horas.

Expressaram seu otimismo porque na reunião ministerial da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que começará em Bruxelas no final desta semana, o secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, “contará com indicações positivas sobre maiores contribuições de tropas” dos aliados.

No entanto, não quiseram confirmar as informações de que Washington tinha solicitado reforços a seus aliados em torno dos 10 mil soldados e indicaram que será a Otan que anunciará os possíveis reforços.

Além de seus próprios reforços, o Governo americano espera que os aliados internacionais ofereçam cerca de 5 mil soldados a mais para chegar ao número desejado pelo comandante da força internacional no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, que tinha pedido cerca de 40 mil militares a mais.

Obama conversou entre segunda e hoje com diversos líderes internacionais, para explicar as linhas mestras de sua estratégia.

Entre eles, esteve o presidente afegão, Hamid Karzai, com quem Obama falou por quase uma hora sobre as implicações da nova estratégia.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, um dos líderes com os quais o presidente americano conversou na segunda-feira, anunciou o envio de mais 500 soldados ao Afeganistão, o que aumentará o contingente de seu país para cerca de 10 mil militares.

O presidente americano se reuniu hoje, antes de partir para West Point, com um grupo de congressistas, entre eles a presidente da Câmara de Representantes (baixa), Nancy Pelosi, e o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, aos quais informou sobre sua nova estratégia.

Após o anúncio do presidente americano, McChrystal e o embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, devem comparecer em audiências no Congresso sobre a situação no Afeganistão.

Também farão o mesmo o secretário da Defesa, Robert Gates, e de Estado, Hillary Clinton, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, o almirante Michael Mullen, cujos comparecimentos foram convocados para amanhã.

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