O presidente americano, Barack Obama, anunciou hoje a criação do fundo Bush-Clinton para coordenar o envio de ajuda de pessoas físicas e empresas ao Haiti e garantir que isso aconteça rapidamente e com segurança.
Obama fez o anúncio depois de se reunir hoje na Casa Branca com os ex-presidentes americanos Bill Clinton e George W. Bush, com os quais analisou os esforços desenvolvidos no Haiti para atenuar a grande crise humanitária gerada pelo terremoto de terça-feira.
Segundo Obama, os ex-presidentes terão a tarefa de incentivar as contribuições de pessoas físicas, corporações, ONGs e outras instituições que desejem colaborar com o Haiti.
O presidente americano explicou que este esforço é similar ao que George W. Bush fez com George Bush e o próprio Clinton após o tsunami que atingiu a Ásia em 2004.
Obama, George W. Bush e Clinton destacaram a enorme proporção da crise provocada no Haiti pelo terremoto e se comprometeram a continuar seu trabalho em favor do povo haitiano no longo prazo.
O presidente dos EUA reconheceu que o esforço necessário será “extraordinário”, mas afirmou que a gravidade da situação no país caribenho assim o exige.
Em sua opinião, este fundo contribuirá para demonstrar ao mundo “o espírito do povo dos EUA” e reiterou que o país faz no Haiti um dos maiores esforços humanitários de sua história.
O ex-presidente George W. Bush disse que o melhor jeito de os EUA colaborarem com o Haiti é “enviando dinheiro”.
Bush reconheceu que há gente que quer mandar cobertores e alimentos, mas insistiu em que “enviem dinheiro, porque as organizações no terreno saberão usá-lo sabiamente”.
Segundo o antecessor de Obama, os “desafios são imensos”, mas há “muita gente dedicada” a ajudar nos trabalhos de resgate e expressou sua confiança em que o povo do Haiti “se recuperará e conseguirá se reconstruir”.
Bill Clinton destacou “a extraordinária resposta do Governo dos EUA” a esta crise e lembrou que, embora por enquanto o envio de água, alimentos, remédios e o estabelecimento de albergues seja mais urgente, o compromisso americano com a recuperação será a “longo prazo”.
Clinton é há quase dois anos o enviado especial das Nações Unidas para o Haiti e disse se sentir “especialmente afetado” pela situação.
Assim como Bush, Clinton afirmou que, apesar dos desafios, o Haiti “seguirá adiante”.
O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de “centenas de milhares” de mortos.
O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Minustah morreram em consequência do terremoto.
A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.
Diferente dos dados do Exército, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aumentou hoje o número de mortos para 17 – considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU, e de outro brasileiro que não identificou -, segundo informações da “Agência Brasil”.