Cardeais de todo o mundo viajaram ao Vaticano para preparar o conclave que escolherá o sucessor do papa Francisco a partir de quarta-feira (7). Mas, o que é exatamente um cardeal?
– Alto dignitário –
A palavra cardeal vem do latim ‘cardinalis’ (fundamental) e designa um alto dignitário da Igreja Católica escolhido pelo papa para ajudá-lo em seu governo.
Os principais dicastérios – o equivalente na Santa Sé aos ministérios governamentais – são dirigidos em sua maioria por cardeais.
O título exato é cardeal da Santa Igreja Romana.
Reunidos no Colégio Cardinalício, presidido pelo cardeal decano – atualmente o italiano Giovanni Battista Re, de 91 anos – formam a cúpula da Igreja Católica.
Por ser um título e não uma função, muitos deles são bispos de dioceses de todo o mundo, enquanto outros ocupam cargos na cúria, o governo do Vaticano.
– Eleitores de papas –
Há 252 cardeais, mas apenas aqueles com menos de 80 anos têm direito a votar por um novo papa no conclave. São os chamados cardeais eleitores e, atualmente, seu número chega a 133, depois que dois desistiram de participar por problemas de saúde.
O conclave, que acontece a portas fechadas na famosa Capela Sistina, segue normas e procedimentos cerimoniais rígidos.
– Criados, não nomeados –
Os cardeais não são nomeados, e sim “criados” por decreto papal.
O termo procede do período romano e implica que o beneficiário é elevado de posto por suas qualidades, mas não designado para nenhum cargo ou ofício vacante.
Segundo as normas vaticanas, o pontífice pode criar cardeais entre aqueles homens “que se destacam notavelmente por sua doutrina, costumes, piedade e prudência na gestão de assuntos”.
– Vermelho cardinalício –
Os cardeais – também conhecidos como purpurados – vestem a cor vermelha, que era o símbolo do Senado romano, um emblema de poder, prestígio e autoridade que representa o sangue de Cristo.
Também usam um anel, tradicionalmente safira, assim como uma cruz peitoral, um báculo e uma mitra.
– Uma criação política –
A criação de cardeais reflete as opiniões políticas do pontífice, que normalmente utiliza seu poder para moldar o grupo que escolherá de seu próprio sucessor.
Durante seu pontificado, Francisco se esforçou para designar mais cardeais procedentes das “periferias” do mundo católico, lugares anteriormente ignorados por Roma.
– Privilégios decrescentes –
Os cardeais, que têm o tratamento de “eminência”, são os segundos, depois do papa, na hierarquia da Igreja e podem oficiar em todas as igrejas fora de Roma.
Os também chamados “príncipes da Igreja” podem ser enterrados nos templos.
O Concílio Vaticano II reduziu consideravelmente os privilégios concedidos aos prelados de maior hierarquia da Igreja, que antes costumavam reservar um compartimento inteiro quando viajavam de trem e dispor de um salão do trono em sua residência.
Francisco foi além e decidiu, em 2023, que os cardeais não poderiam usufruir de apartamentos no Vaticano sem pagar um aluguel.
Dois anos antes, reduziu até mesmo seus salários para ajudar a mitigar os danos provocados pela pandemia de coronavírus nas finanças da Santa Sé.
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