Menu
Mundo

O deserto e os beduínos ajudam os palestinos a fugir de Gaza

Arquivo Geral

28/01/2008 0h00

Apesar das medidas de segurança e dos postos policiais, capsule dezenas de palestinos continuam burlando os controles e chegando a Al Arish graças aos atalhos do deserto e à valiosa ajuda dos beduínos.

Khaled, Nidal, Mohammed, Abu Jihad e Tareq, todos ex-membros dos corpos da segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP), chegaram neste domingo a Al Arish, após um longo périplo entre estradas de terra. A cidade é a localidade mais próxima à passagem fronteiriça de Rafah.

O grupo convenceu um motorista egípcio a fazer o trajeto de 45 quilômetros entre Rafah e Al Arish, evitando os postos de controle, por 50 libras egípcias cada um (US$ 9).

Este preço é quase quatro vezes do que se paga normalmente por este mesmo trajeto, mas a normalidade desapareceu do Sinai.

Os passageiros sabiam que o mais difícil era sair de Rafah, onde se encontram milhares de palestinos que atravessaram a fronteira com Gaza depois que ativistas explodiram, na quarta-feira passada, a cerca metálica que separa os dois territórios.

Ao chegarem a 500 metros de um dos postos policiais, os palestinos desceram do carro debaixo de uma chuva torrencial e atravessaram um campo de oliveiras, enquanto o taxista passava pelo controle sem problemas.

Assim que passaram pelo posto, o motorista e seu auxiliar recolheram Khaled e os outros.

Novamente no carro, totalmente encharcados, eles comemoraram com um charuto o fato de terem deixado para trás os policiais que os obrigariam a retornar.

Khaled e Nidal relatam que no primeiro dia que se permitiu a entrada no Egito eles chegaram ao Cairo, mas foram forçados a voltar porque o dinheiro acabou.

“Somos tolos, mas agora voltaremos a tentar”, afirma Khaled, que desta vez levou consigo três colegas que estão animados com a possibilidade de visitar a capital egípcia.

Um deles tem a esperança de conseguir asilo ou viajar para a Europa, embora saiba que é quase impossível.

“Agora em Gaza não fazemos nada. Desde que (o deposto primeiro-ministro da ANP, Ismael) Haniyeh chegou, como nós apoiamos (o presidente da ANP, Mahmoud) Abbas, só recebemos os salários, mas não trabalhamos”, afirma Mohammed.

Entre brincadeiras, o táxi chega à localidade de Yura depois de o motorista perguntar a vários beduínos, acostumados a evitar os postos de segurança, qual o caminho mais seguro.

À altura de Abu Tawila, uma pequena localidade na metade de caminho entre Rafah e Al Arish, um menino beduíno adverte que mais adiante há um novo controle e os convida a passarem por dentro de uma plantação.

O menino pede US$ 1 pelo conselho, mas os palestinos não aceitam.

Duas horas e 15 minutos após terem percorrido os 45 quilômetros que separam Al Arish da fronteira, Khaled, Nidal, Muhamed, Abu Jihad e Tareq comemoraram com palmas sua chegada à estação de ônibus da cidade egípcia.

Agora resta a parte mais difícil da viagem: atravessar os postos de controle do Canal de Suez para chegar ao Cairo, “a cidade das pontes e dos cabarés”, como afirma um antigo provérbio muçulmano.

Mas isso pouco importa a Khaled e seus amigos. A viagem valerá a pena se puderem esquecer, por algumas horas, a situação de opressão na qual vivem em Gaza.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado