A promotoria de Berlim abriu uma investigação contra o ultradireitista Partido Nacional Democrata da Alemanha (NPD) por enviar cartas com tom ameaçante a políticos de origem estrangeira dentro da campanha eleitoral para as eleições legislativas do próximo dia 27 de setembro.
A carta, com aspecto de escrito oficial de um fictício “encarregado para o retorno de estrangeiros” aos seus países de origem, ameaça aos receptores a abandonar Alemanha, apesar de se tratarem de pessoas com cidadania e passaporte alemães, revela hoje o jornal berlinense “Der Tagesspiegel”.
Acrescenta que a responsabilidade da redação das cartas foi assumida por Jörg Hähnel, líder do NPD em Berlim, que é acusado pela promotoria de incitação ao ódio racial e atividades xenófobas.
O panfleto explica que, com base em um plano de cinco pontos, se pretende forçar “passo a passo” o retorno a seus países de origem dos cidadãos de origem estrangeira, aos que “sugerem” buscar imediatamente casa e trabalho fora da Alemanha.
Entre os que receberam a carta se encontra o candidato ao Bundestag, o Parlamento federal, pelo partido do Verde, Özcan Mutlu, de origem turca.
“Essa gente não acaba de entender que este país também é nosso”, declara Mutlu no mesmo jornal, no qual reconhece estar acostumado a esse tipo de ataques por parte da extrema-direita, embora teme que outras pessoas de origem imigrante possam sentir-se intimidadas ao receber a carta de aspecto oficial.
Hähnel, que é vereador na Prefeitura do bairro berlinense de Lichtenberg, tem pendentes perante os tribunais várias causas por manifestações xenófobas e racistas.
Richard Meng, porta-voz do Senado de Berlim, qualifica no mesmo jornal de “asquerosas” e “indecentes” as mensagens enviadas pelo líder do NPD, que considera uma provocação mais da formação ultradireitista para chamar a atenção nas eleições gerais, nas quais as pesquisas não lhes atribuem cadeira alguma.