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Mundo

Novos choques no Quênia deixam cinco mortos e vários feridos

Arquivo Geral

20/01/2008 0h00

Novos choques étnicos entre kikuyus e luos deixaram três mortos hoje em Nairóbi e dois no oeste do país, store informou a Polícia, que eleva o número de vítimas fatais a 45 em cinco dias.

Huruma, ao leste da capital, foi palco de lutas violentas nas quais três pessoas morreram apunhaladas e outras quinze ficaram feridas, três gravemente.

No hospital Kenyatta de Nairóbi, a Agência Efe conseguiu falar com Dominik, que assistiu impotente a seu irmão Allan ser linchado por cerca de 50 agressores.

Segundo Dominik, os responsáveis pelo ataque afirmaram que eram mungikis, a seita da tribo dos kikuyus, de crenças pagãs e muito violenta. “Atacaram meu irmão de surpresa, gritando que eram mungikis e que matariam todos os luos”, contou.

“O pior”, acrescentou Dominik, “é que a Polícia não fez nada”. Várias testemunhas disseram que as agressões ocorreram na presença de forças da ordem, que não intercederam para evitar a tragédia.

No hospital, o diretor-adjunto, Njoroge Waithaka, detalhou a lista de feridos e a natureza das lesões. “Todos os internados procedentes de Huruma apresentam cortes profundos ou amputações”, afirmou.

Os kikuyus são a principal etnia do país e à qual pertence o presidente Mwai Kibaki. Os luos são os terceiros mais numerosos do Quênia e o clã do qual procede o líder opositor Raila Odinga.

Musalia Mudavadi, do Movimento Democrático Laranja (ODM) – partido da oposição que denuncia a vitória do presidente Kibaki nas eleições gerais de 27 de dezembro devido às irregularidades cometidas na apuração dos votos -, visitou o hospital.

Ele disse que a Polícia estava “protegendo os mungikis e que tinham cometido assassinatos seletivos contra os luos”.

Nesse momento, John, um jovem kikuyu, se dirigiu a Mudavadi na recepção do hospital, acusando o ODM de incitar a violência contra sua etnia. “Meu irmão está lá dentro com as mãos amputadas”, disse John. “Cem luos atacaram-no sua casa”, continuou.

Mudavadi respondeu que condenava a violência à margem da origem tribal e confirmou que seu partido, liderado por Raila Odinga, se reuniria na terça-feira com o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que chegará a Nairóbi para fazer mediação entre Governo e oposição.

Ele também informou que o ODM faria outras manifestações pacíficas previstas para a próxima quinta-feira.

Em menos de um mês, os choques tribais e entre oposição e forças de segurança causaram a morte de quase 700 pessoas e o deslocamento de mais de 250 mil, segundo fontes oficiais e das Nações Unidas.

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