A nova alta representante para Política Externa e Segurança Comum da União Europeia (UE), Catherine Ashton, apostou hoje em conseguir uma solução negociada com o Irã a respeito do programa nuclear desse país, mas disse que também “é preciso começar a pensar em sanções”.
Ashton, em seu primeiro comparecimento no Parlamento Europeu, lamentou a recente decisão de Teerã de construir dez novas usinas nucleares e ressaltou a importância de que a comunidade internacional mostre “unidade frente ao que o Irã está fazendo”.
“No final do caminho, teremos que encontrar uma solução negociada, mas também temos que começar a pensar em sanções”, disse a nova chefe da diplomacia da UE, em resposta às perguntas dos parlamentares.
Seu antecessor no cargo, Javier Solana, qualificou na semana passada a decisão do Governo iraniano de “equivocada”, mas confiou em uma mudança de opinião pelas autoridades do país.
O Irã afirma que o anúncio da construção de novas instalações é consequência da resolução de condenação aprovada na sexta-feira passada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A resolução, adotada pela AIEA em sua sede em Viena, é o primeiro texto do organismo que condena o programa nuclear iraniano em quase quatro anos.
O texto, impulsionado por EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha, deu uma chamada de atenção a Teerã, principalmente devido à construção clandestina de uma nova usina de enriquecimento de urânio, sobre a qual exigiram a “imediata” suspensão.
Ashton também defendeu hoje “fortalecer o diálogo” com a sociedade civil iraniana e considerou que deve ser “um aspecto importante” da política externa europeia.