Sem críticas diretas, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, pediu hoje (4) ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para não reprimir as manifestações contrárias a seu governo e que ouça os apelos da população. Durante três anos – de 1996 a 1999 – Shannon serviu em Caracas, capital venezuelana. Ele disse que o país passa por “um momento difícil”, numa referência à crise energética, à renúncia de membros do governo e aos protestos de rua.
“A Venezuela está passando por um momento difícil e, em um momento de crise, é preciso abrir espaço para o diálogo político”, afirmou Shannon, na primeira entrevista coletiva desde que assumiu o posto em Brasília. “[O ideal] é não reprimir e abrir espaço para ouvir o povo venezuelano.”
O governo dos Estados Unidos é o principal alvo de críticas de Chávez, mas Shannon não polemizou em torno da delicada relação entre os dois países.
Desde o ano passado, a Venezuela passa por restrições no uso de energia elétrica. A crise energética levou o governo Chávez a pedir ajuda ao Brasil e a Cuba para o envio de especialistas. Foram adotadas medidas de racionamento para conter o agravamento da situação.
Paralelamente, há desabastecimento de produtos básicos da alimentação, como leite e derivados, e denúncias de aumentos abusivos de preços. Em meio à tensão, o governo Chávez suspendeu os sinais de transmissão de seis emissoras de televisão, entre elas, a RCTV, uma das mais populares da Venezuela. A medida provocou uma onda de protestos no país em reação à suspeita de repressão aos direitos de expressão.
Hoje (4), Chávez convocou uma manifestação nas principais avenidas de Caracas denominada Dia da Dignidade. Diplomatas que acompanham o assunto afirmam que é uma maneira de demonstrar que conta com o apoio de parte da sociedade venezuelana.