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Nobel de Química premia descoberta fundamental para fabricar medicamentos

Descobertas sobre moléculas quirais ajudam no desenvolvimento de medicamentos e explicam a homoquiralidade

Redação Jornal de Brasília

07/10/2026 13h49

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Foto: Jonathan Nackstrand / AFP

O francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai receberam, nesta quarta-feira (7), o Nobel de Química por terem resolvido um dos mistérios da vida: o porquê de, na natureza, algumas moléculas aparecerem em uma única forma — uma descoberta fundamental para o desenvolvimento de medicamentos.

“Suas descobertas desempenharam um papel determinante para os químicos que projetam reações destinadas à fabricação de produtos farmacêuticos”, afirmou o comitê do Nobel em um comunicado.

Assim como as mãos, algumas moléculas, chamadas quirais, podem ter versões “direita” ou “esquerda”, dependendo da forma como refletem a luz. Elas possuem propriedades físicas idênticas, mas biológicas muito diferentes.

Quase todos os aminoácidos existem em duas variantes especulares, mas apenas uma delas é encontrada nas proteínas das células do organismo. A outra aparece poucas vezes na natureza, um fenômeno conhecido como “homoquiralidade”, explicou a Real Academia Sueca de Ciências.

– “Direita” ou “esquerda” –

Os cientistas questionam-se há muito tempo sobre como esse processo ocorre, e as descobertas dos dois ganhadores do Nobel permitiram “provocar reações químicas que levam à homoquiralidade”, apontou o júri.

A assimetria pode ter consequências enormes, como no caso da talidomida, um medicamento contra náuseas prescrito a partir de 1956, que era eficaz quando fabricado em sua forma “esquerda” e tóxico na “direita”. Foi amplamente utilizado em todo o mundo, causando efeitos terríveis no embrião, antes de ser retirado do mercado em 1961.

Henri Kagan estuda a quiralidade desde a década de 1980.

O francês descobriu como manipular reações químicas para, por exemplo, criar um “excesso” da versão “direita” ou “esquerda” das moléculas.

Sua descoberta foi revolucionária para os químicos que desenvolvem reações utilizadas na fabricação de medicamentos, aromas, perfumes e novos materiais.

Kenso Soai desenvolveu a primeira reação química na qual se formou apenas uma das duas formas.

– Solução para um mistério –

“Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico que remonta a mais de um século: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente. As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares”, afirmou Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química.

Estudos relacionados a esse conceito já foram premiados com o Nobel em 2001.

No entanto, o prêmio não foi concedido ao professor Kagan, considerado tanto na França quanto no restante do mundo o “pai” dessa técnica. Isso provocou, na época, protestos por parte do Ministério da Pesquisa da França.

Henri Kagan, de 95 anos, é professor emérito na Universidade de Paris-Saclay.

Kenso Soai, de 76 anos, leciona na Universidade de Ciências Naturais de Tóquio. Ele estava fazendo compras perto de casa quando recebeu a grande notícia por telefone.

Mais tarde, em declarações à imprensa em Tóquio, disse sentir-se grato por ter contado com bons colegas.

“Especialmente na ciência experimental, a colaboração entre o corpo docente e os alunos é fundamental. Nesse sentido, tive a sorte de conhecer pessoas realmente maravilhosas”, afirmou.

O Nobel consiste em um diploma, uma medalha de ouro e um cheque no valor de 12 milhões de coroas suecas, o que equivale a pouco mais de um milhão de dólares (4,96 milhões de reais, na cotação atual).

O Nobel de Química é o terceiro prêmio, depois dos de Medicina e Física, que foram anunciados na segunda e na terça-feira. Na quinta-feira, é a vez do prêmio de Literatura.

O autor húngaro László Krasznahorkai foi o vencedor no ano passado, e vários especialistas consultados pela AFP esperam que, desta vez, o prêmio vá para uma escritora não europeia.

Talvez a americana nascida em Antígua e Barbuda, Jamaica Kincaid, conhecida sobretudo pelo romance “Lucy”, a chinesa Can Xue, a argentina Samanta Schweblin ou a mexicana Cristina Rivera Garza.

O grande dia será sexta-feira, quando será anunciado o Nobel da Paz.

As chances de Donald Trump recebê-lo são praticamente nulas, mas o presidente americano voltará a ser assunto devido à campanha sem precedentes que realizou em favor de sua candidatura no ano passado.

Mais uma vez, o comitê sabe que está sob os holofotes após a polêmica gerada pela vencedora do ano passado, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que presenteou Trump com sua medalha.

O prêmio de Economia encerrará a temporada do Nobel em 12 de outubro.

AFP

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