Phelps, que se encontra em San José para uma conferência a convite do Banco da Costa Rica, comentou em coletiva de imprensa que “as economias latino-americanas devem aumentar seu dinamismo com solidariedade e um papel mais amplo do Estado”.
Para ele, um maior dinamismo dessas economias pode ser conseguido com incentivos aos produtores e pedindo aos cidadãos que se transformem em empresários que fabriquem produtos inovadores para atrair novos clientes.
“Embora haja certa volatilidade externa, o dinamismo interno cria níveis altos de emprego”, assegurou.
O economista recomendou aos Governos que impulsionem a criação de centros de inovação em conjunto com as grandes empresas, nos quais se ofereça assistência e assessoria a pequenos empresários ou a cidadãos interessados em dirigir sua própria companhia.
Também comentou que é necessário promover uma atitude “pró-negócios” dentro da população e a troca de idéias sobre novos nichos de mercado e produtos.
Phelps, que pediu à América Latina que evite responder à crise com medidas “similares às do corporativismo de Benito Mussolini”, afirmou que os países da região enfrentam ameaças reais que poderiam se transformar em oportunidades.
Como exemplo, citou que a crise nos Estados Unidos poderia provocar um refluxo de imigrantes, que com a experiência e a economia que adquiriram poderiam cooperar em seus países se tornando novos empresários.
Em relação à crise americana, Phelps comentou que é difícil prever quanto tempo demorará para esse país voltar a seus níveis normais de atividade econômica, embora acredite que poderia demorar dois anos, dependendo, em boa parte, das medidas aplicadas pelo Governo nos próximos meses.
“Muitos dizem que recuperando o setor financeiro demorará entre seis e nove meses para levantar a economia, mas nesse tempo a taxa de desemprego ficará próxima a 8% e os níveis de bem-estar vão se reduzir”, disse.
O economista assinalou ainda que “se, além disso, o Governo resgatar uma série de indústrias da quebra e estabelecer medidas de controle, é difícil prever quando haverá uma recuperação”.
Edmund Phelps, nascido em 1933, ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2006 por seus trabalhos em política macroeconômica, nos quais reinterpretou a Curva de Phillips.
A Curva de Phillips é uma teoria que partia da base que existia uma relação direta entre o índice de desemprego e a inflação.
O economista formulou a hipótese de que as expectativas de empresas e de indivíduos são um fator relevante na evolução dos preços.
Segundo ele, essas expectativas influenciam na hora de fixar os preços e níveis salariais, o que, por sua vez, repercute na inflação a longo prazo.
Sua conclusão foi de que a situação do emprego não depende da inflação, mas do comportamento do mercado de trabalho.