O prêmio Nobel da Paz argentino Adolfo Pérez Esquivel disse hoje que o referendo sobre o estatuto autônomo realizado no domingo no departamento boliviano de Santa Cruz é uma “tentativa de golpe de Estado disfarçado”.
Pérez Esquivel, website like this que acaba de voltar da Bolívia, afirmou em entrevista coletiva que o plebiscito foi organizado por “fazendeiros” cuja intenção é “desestabilizar o Governo e gerar uma situação de confronto”.
Além disso, chamou a atenção para “o alto índice de racismo” das classes dirigentes em Santa Cruz e também alertou que os veículos de comunicação bolivianos “assumiram uma opção clara pelo estatuto e por privilegiar o capital financeiro sobre a vida do povo”.
Em sua viagem à Bolívia na semana passada, Pérez Esquivel se reuniu com o presidente boliviano, Evo Morales, em uma audiência pública da qual participaram 300 pessoas, entre ministros, funcionários e membros de organizações sociais.
A delegação entregou ao chefe de Estado boliviano um documento intitulado “Apelo à solidariedade para com a Bolívia” assinado por mais de 200 pessoas na Argentina, assim como a iniciativa “Todos com a Bolívia”, que, segundo seus organizadores, já reuniu 10 mil assinaturas de adesão no mundo todo.
O bispo emérito da Igreja Evangélica Metodista da Argentina Aldo Etchegoyen, que fez parte da delegação da qual participou Pérez Esquivel, qualificou o referendo autônomo de “uma operação do poder contra a cultura comunitária indígena”.
Além disso, afirmou que há ligação entre a realização desta consulta e a “presença militar” dos Estados Unidos na América Latina, após se referir à realização de operações navais conjuntas entre o país e a Argentina em território do último Estado.
Etchegoyen não quis precisar em que consistiria essa conexão, mas disse que “isto não acontece em qualquer momento, acontece hoje”.
A delegação “em solidariedade para com o povo boliviano” foi completada com Nora Cortiñas, da organização Mães da Praça de Maio -Linha Fundadora, e Beverly Keene, coordenadora do movimento Jubileu Sul/Diálogo 2000.
Pérez Esquivel lembrou que o resultado do referendo -com um apoio superior a 80%, segundo as autoridades- “não é vinculativo” e não tem repercussão jurídica.
“Esperamos que leve a um diálogo”, disse o Prêmio Nobel e presidente da Fundação Serviço, Paz e Justiça (Serpaj).
O referendo realizado no domingo passado em Santa Cruz (leste), a região mais rica e povoada da Bolívia, é ilegal para a Corte Nacional Eleitoral e para o Governo de Evo Morales, que pediu que as pessoas não participassem do plebiscito.
Durante o dia da votação houve na região vários incidentes violentos, o que levou Morales a qualificar a iniciativa de um “fracasso”.