O presidente da Toyota, Akio Toyoda, respondeu hoje a uma enxurrada de perguntas diante do Congresso dos Estados Unidos, que investiga o recall em milhões de veículos, e assumiu “plena responsabilidade” pelo problema que, além de causar 39 mortes, respingou na confiança dos consumidores.
Sob juramento diante do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara de Representantes, Toyoda leu seu discurso em inglês, no qual lamentou profundamente os acidentes causados pelos problemas ocorridos nos aceleradores de certos modelos.
“Meu nome está em cada veículo. Têm meu compromisso pessoal que a Toyota trabalhará vigorosamente, sem parar, para restabelecer a confiança de nossos clientes”, prometeu o empresário, diante de um grande número de fotógrafos e cinegrafistas.
Toyoda, que assumiu o cargo em junho de 2009, sugeriu que o frenético ritmo de crescimento da Toyota afetou as normas de segurança, e delineou medidas para corrigir os problemas atuais e prevenir mais tragédias.
Essas medidas incluem a substituição dos tapetes do lado do motorista e dos aceleradores nos veículos atingidos; a criação de um sistema para responder rapidamente às queixas dos clientes e a de um grupo de analistas da América do Norte para evitar “decisões equivocadas”.
Em uma tensa sessão de perguntas, em que contou com a ajuda de uma intérprete japonesa, Toyoda disse estar “absolutamente confiante” que não existem problemas com os sistemas eletrônicos de seus automóveis, como suspeitam alguns analistas da indústria automotiva e líderes do Congresso.
Afirmou que sua empresa “fornece o mesmo serviço e o mesmo nível de atenção” aos clientes no mundo todo, apesar do legislador republicano, Mark Souder, ter assinalado que alguns documentos sugerem que Toyota atendeu primeiro os problemas na Europa.
O presidente de Toyota para a América do Norte, Yoshimi Inaba, insistiu que a empresa “não trata aos clientes americanos de forma distinta” dos demais.
Por sua vez, Toyoda disse que sua empresa compartilhou e pensa seguir compartilhando toda a informação disponível sobre a origem dos problemas.
Perguntado pelo republicano Brian Bilbray se o Governo dos EUA deve exigir dos fabricantes um registro completo de todo incidente em qualquer parte do mundo, Toyoda assentiu e respondeu que sua empresa cooperará “plenamente” com as autoridades.
O comparecimento de Toyoda, neto do fundador do maior fabricante de automóveis no mundo, refletiu a gravidade do problema que levou a revisão de 8,5 milhões de carros, e ao final resultou em elogios por parte de democratas e republicanos.
O presidente do Comitê, o democrata Edolphus Towns, expressou que a Administração Nacional para a Segurança nas Estradas (NHTSA, na sigla em inglês) “falhou com os contribuintes” por não atuar com contundência frente às milhares de queixas que datam de uma década atrás, e Toyota “falhou com seus clientes”.
A lista de modelos atingidos está no site do Departamento de Transporte dos EUA, “www.dot.gov”, e seu titular, Ray LaHood, disse que a NHTSA realiza uma “revisão exaustiva” para determinar se houve ou não defeitos eletrônicos que contribuíram com os problemas de aceleração.
“Posso dizer isto: trabalharemos as 24 horas do dia, todos os dias, e seguiremos fazendo-o até que todo Toyota seja seguro para que os clientes os conduzam” sem temor, prometeu LaHood, cujo departamento inclui a NHTSA.
Durante seu comparecimento de quase três horas, LaHood assinalou que a NHTSA contratou 66 funcionários para reforçar as tarefas de zelar pela segurança viária.
O funcionário atribuiu parte do problema ao modelo empresarial da Toyota que, apesar dos “bons talentos” nos Estados Unidos, “as decisões são tomadas no Japão” e isso dificulta a capacidade de resposta da empresa neste país.
Acrescentou, no entanto, que “o fato de que o senhor Toyoda esteja aqui demonstra que as coisas mudaram”, após o desastre que enfrenta a empresa.
O orçamento solicitado para NHTSA para o ano fiscal 2011 totaliza US$ 878 milhões, um aumento de US$ 5 milhões sobre o ano fiscal anterior.
O Comitê de Comércio do Senado solicitou que o Inspetor Geral do Departamento de Transporte analise a fundo as gestões de NHTSA frente à ligação e à revisão de Toyota.