Os seis países que negociam com Teerã sobre energia nuclear (os Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) não aceitarão uma manobra de adiamento por parte do Irã, disse hoje o ministro francês de Exteriores, Bernard Kouchner.
“Se a resposta iraniana – sobre a proposta da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA) – for dilatória, como parece, não a aceitaremos”, afirmou Kouchner após uma reunião em Paris com o colega alemão, Guido Westerwelle.
Kouchner acrescentou que os países esperam que “o Irã aceite formalmente a proposição da AIEA para enriquecer urânio iraniano na Rússia e França”.
Ali Asghar Soltanieh, embaixador iraniano diante da AIEA, disse que o país está disposto a comprar combustível de qualquer fornecedor, como fizeram há 20 anos com a Argentina, sob a supervisão da agência das Nações Unidas.
“O tema agora é a garantia e a segurança do abastecimento porque temos um déficit de confiança no passado”, disse o diplomata.
Soltanieh explicou: “Infelizmente em muitas ocasiões quisemos combustível, pagamos e não o recebemos”.
Pela proposta da AIEA, o Irã enviaria 80% de suas reservas de urânio à Rússia e à França para que fossem transformadas em barras de combustível enriquecido a 20%.
Dessa forma, o Irã manteria seu reator médico em atividade e as potências ganhariam tempo, já que seria reduzida a capacidade do Irã de processar urânio.
Há sete anos, quando veio à tona que o Irã manteve um programa nuclear clandestino durante duas décadas, a AIEA tenta esclarecer se os esforços nucleares dos aiatolás são para construir uma bomba atômica, como teme o Ocidente, ou só têm aplicações civis, como afirma o Teerã.