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Mundo

Negociação nuclear com Irã termina com proposta

Arquivo Geral

21/10/2009 0h00

A negociação nuclear dos Estados Unidos, Rússia e França com o Irã para enriquecer no exterior parte das reservas de urânio iranianas terminou hoje, em Viena, com uma proposta que precisa ser ratificada pelos Governos dos países, disse o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.

“Fiz circular a minuta de um acordo que tem uma aproximação equilibrada sobre como avançar neste assunto. Está em poder das partes para que, espero, deem uma resposta afirmativa para sexta-feira. Em dois dias”, disse ElBaradei.

O acordo, que inclui que 80% das reservas de urânio pouco enriquecido do Irã sejam enviadas para ser processadas no exterior, é considerado uma forma de “abrir um espaço para a negociação”, segundo o responsável da AIEA.

O acordo também inclui a França, cuja participação gerou críticas do Irã, ao considerar que Paris não é um fornecedor atômico de confiança, ao contrário da Rússia.

O chefe da delegação iraniana, Ali Asghar Soltaniyeh, não quis responder às perguntas sobre se seu país respaldará o acordo e disse que será estudado em detalhes antes de uma possível aprovação.

“Vamos estudar em detalhes o texto e haverá uma reelaboração nas capitais”, disse o também embaixador iraniano na AIEA.

Soltaniyeh também ressaltou que esta reunião não tem nada a ver com as conversas com o grupo formado por Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China, mais Alemanha, que ocorreram em 1º de outubro em Genebra, e reafirmou o direito do Irã de enriquecer urânio.

A proposta foi possível depois que ElBaradei se envolveu diretamente nas negociações, que ficaram estagnadas na terça-feira devido à insistência iraniana de que França não era bem-vinda ao encontro.

As potências pretendem tirar do Irã 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido, grande parte da 1,5 tonelada que produziu contra as exigências internacionais, o que aplacaria as suspeitas de que pretende purificar essa substância até conseguir uma arma nuclear.

Além disso, reduziria drasticamente suas reservas de urânio, já que, para produzir uma bomba atômica, são necessárias cerca de 2 toneladas desse material enriquecido a 90%.

O urânio que se pretendia extrair do Irã seria reprocessado na Rússia e na França, e seria devolvido a Teerã como combustível nuclear para alimentar um reator médico que permite o diagnóstico e o tratamento do câncer.

O Irã advertiu, pouco antes do começo da negociação, que, caso esta fracasse, enriquecerá por conta própria o urânio até 20% de pureza, o nível necessário para o reator médico.

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