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Mundo

Negociação nuclear com Irã é retomada após estagnação

Arquivo Geral

21/10/2009 0h00

A negociação nuclear dos Estados Unidos, Rússia e França com o Irã para enriquecer no exterior parte das reservas de urânio iranianas foi retomada hoje, em Viena, depois de ter ficado paralisada na terça-feira por causa das reservas de Teerã em relação a Paris.

“Todas as delegações estão dentro e retomaram as conversas”, disse uma porta-voz da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre a negociação, que começou com uma hora e dez minutos de atraso em relação à hora prevista de início às 10h (6h de Brasília).

Apesar das dificuldades surgidas ontem, o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, disse que havia “progressos” e se mostrou otimista sobre o resultado das conversas.

“Ainda achamos que podemos chegar a um acordo. É um processo complexo, com muitos aspectos técnicos. É uma questão de criação de confiança e de garantias”, disse o diplomata egípcio.

A reunião é considerada um termômetro sobre a predisposição de Teerã em alcançar compromissos, após seu encontro com o grupo formado por Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China, mais a Alemanha, em 1º de outubro em Genebra.

Os atrasos começaram a acontecer ontem, depois que o ministro de Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, disse em Teerã que “não há necessidade” de que a França estivesse presente nas negociações.

Fontes diplomáticas ocidentais reconheceram à Agência Efe que a presença da França na negociação podem ser “um fator de transtorno que pode prejudicar o clima”.

“As conversas foram construtivas e continuam amanhã com todas as partes”, disse ontem o chefe da delegação iraniana, Ali Asghar Soltaniyeh, em declarações que indicam que é possível que se chegue a uma solução de compromisso.

As potências pretendem tirar do Irã 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido, grande parte da 1,5 tonelada que produziu contra as exigências internacionais, o que aplacaria as suspeitas de que pretende purificar essa substância até conseguir uma arma nuclear.

Além disso, reduziria drasticamente suas reservas de urânio, já que, para produzir uma bomba atômica, são necessárias cerca de 2 toneladas desse material enriquecido a 90%.

O urânio que se pretendia extrair do Irã seria reprocessado na Rússia e na França, e seria devolvido a Teerã como combustível nuclear para alimentar um reator médico que permite o diagnóstico e o tratamento do câncer.

O Irã advertiu, pouco antes do começo da negociação, que, caso esta fracasse, enriquecerá por conta própria o urânio até 20% de pureza, o nível necessário para o reator médico.

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