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Mundo

Navios de Japão, França e Omã cruzam Estreito de Ormuz sob controle iraniano

O Irã permite a passagem de embarcações sem laços com EUA ou Israel, em meio ao conflito iniciado por ataques aéreos no final de fevereiro

Redação Jornal de Brasília

03/04/2026 17h10

Foto: Wikimedia Commons

Foto: Wikimedia Commons

Três petroleiros operados por uma empresa de Omã, um navio porta-contêineres de propriedade francesa e um transportador de gás de propriedade japonesa cruzaram o Estreito de Ormuz desde quinta-feira (2), segundo dados de navegação. Essa movimentação reflete a política do Irã de permitir a passagem de embarcações consideradas amigáveis, após o fechamento inicial da rota vital para cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).

O bloqueio foi imposto depois de ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel no final de fevereiro, que escalaram o conflito na região. Posteriormente, o governo iraniano anunciou que autorizaria o trânsito de navios sem vínculos com os EUA ou com Israel. Os mercados de petróleo e commodities acompanham de perto os sinais de retomada do tráfego marítimo, já que vários navios-tanque e porta-contêineres haviam escapado do bloqueio nas semanas anteriores, mas a atividade foi interrompida por dias de paralisação total.

Um navio de contêineres da empresa francesa CMA CGM transitou pelo Estreito na quinta-feira, no mesmo dia em que o presidente francês Emmanuel Macron defendeu esforços diplomáticos para reabrir a rota, em vez de uma operação militar. O navio alterou o destino em seu Sistema de Identificação Automática para ‘Proprietário França’ antes de entrar em águas iranianas, sinalizando sua nacionalidade às autoridades.

As embarcações desligaram seus transponders AIS durante a travessia, o que fez os sinais desaparecerem nos dados de rastreamento. Dois petroleiros de grande porte e um navio-tanque de GNL operado pela Oman Shipping Management saíram do Golfo na quinta-feira, conforme dados da MarineTraffic e da LSEG. Omã, que mediou negociações entre o Irã e os Estados Unidos antes dos ataques, criticou o lançamento das ofensivas enquanto as conversas estavam em andamento.

A empresa japonesa Mitsui O.S.K. Lines confirmou nesta sexta-feira (3) que o navio-tanque Sohar LNG, do qual é coproprietária, cruzou o Estreito, tornando-se o primeiro navio ligado ao Japão e o primeiro transportador de GNL a fazê-lo desde o início do conflito. Seu porta-voz não detalhou quando a passagem ocorreu ou se envolveram negociações. Até o início da sexta-feira, cerca de 45 navios de propriedade ou operados por empresas japonesas permaneciam encalhados na região, segundo o Ministério dos Transportes do Japão.

Outro navio-tanque de GLP de propriedade da Mitsui, o Green Sanvi, deixou o Golfo pelas águas territoriais do Irã no início da sexta-feira. Além disso, um navio com bandeira da Índia sinalizou seu destino como ‘navio da Índia, tripulação da Índia’, e o Danisa, de bandeira panamenha e transportador de gás muito grande, seguiu a mesma rota em direção à China.

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