O partido nacionalista Istiqlal derrotou os islamitas moderados nas eleições legislativas do Marrocos, viagra sale e reforçou sua liderança para a formação do próximo governo do país.
As eleições marroquinas foram marcadas por uma enorme taxa de abstenção, drug de 63%, um recorde histórico no país. Na capital econômica Casablanca, apenas 28% dos eleitores inscritos compareceram para votar.
Segundo os resultados divulgados parcialmente no sábado, o Istiqlal obteve 52 cadeiras na Câmara de Representantes (com 325 postos), cinco a mais do que os grandes favoritos, os islamitas moderados do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD). Hoje serão confirmados os resultados oficiais.
No sábado, o AKP denunciou o que qualificou de “corrupção” nas eleições de sexta-feira, e assegurou que foi cometido um crime contra o desejo de avançar na democracia do país.
O Istiqlal faz parte da coalizão Bloco Democrático, junto à USFP e ao Partido do Progresso e do Socialismo (PPS), e está na posição mais propícia para a formação do governo. O rei Muhammad VI influi decisivamente no Gabinete, designando o primeiro-ministro.
Quanto às possíveis alianças pós-eleitorais, o secretário-geral do Istiqlal, Abbas el-Fassi, assegurou há poucos dias que dependeriam da maioria obtida. Segundo ele, o sistema eleitoral marroquino torna muito difícil que um partido alcance uma maioria absoluta, suficiente para governar sozinho.
Fassi também afirmou que, embora seu partido concorde que será necessário realizar novas reformas na constituição – que reserva ao rei grande poder sobre o Executivo e o Legislativo -, estas deverão ser feitas com “tranqüilidade”, e através do consenso das forças políticas do país.
Ele destacou que “conseguir a independência do Poder Judiciário é um dos desafios fundamentais do regime marroquino”.
O Istiqlal tem desempenhado um papel preponderante na história recente do Marrocos, e tem na unidade territorial, com a incorporação do Saara Ocidental, e na reivindicação da soberania das cidades autônomas espanholas de Ceuta e Melilla suas principais marcas históricas. Em 1990, o Istiqlal chegou a pedir a mediação do Papa para encontrar solução para as aspirações marroquinas sobre estas áreas.
O partido também está estreitamente ligado à idéia de criação da União do Magrebe Árabe, uma antiga aspiração existente há mais de 30 anos. Depois da Marcha Verde sobre o Saara Ocidental (1975), que reivindicava a região, foram realizadas eleições legislativas em 1977, e o Istiqlal participou do Governo até 1983.
Em seguida, se recusou a continuar no poder, e se aliou à USFP para preparar, no início dos anos 90, um memorando pedindo ao rei Hassan II uma reforma constitucional. Em novembro de 1997, foram realizadas as primeiras eleições legislativas depois da reforma constitucional de 1996, e nelas a vitória foi para o bloco opositor integrado pela USPF, pelo PPS e pela Organização para a Ação Democrática e Popular, além do próprio Istiqlal.
Com ampla base de filiados, o Istiqlal ocupou, desde as eleições de 2002, sete cargos no governo presidido por Driss Jettou, entre ministérios e secretarias de Estado. Após as eleições de sexta-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, manifestou ao rei do Marrocos sua “admiração pelo vigor democrático” do país norte-africano.
“Queria enviar à vossa Majestade, assim como aos partidos políticos e ao povo marroquino, minhas mais sinceras felicitações”, escreveu Sarkozy, em mensagem para Muhammad VI.
O chefe de Estado francês elogiou ainda a “qualidade da organização da apuração” e o compromisso do monarca com “um processo eleitoral transparente”. Na mesma carta, Sarkozy aproveitou para anunciar sua próxima visita de Estado ao Marrocos, em resposta ao “amável convite” do rei marroquino, mas não indicou quando seria a viagem.