O movimento islâmico Hamas assinou hoje um documento no qual adverte contra qualquer concessão na cúpula de Annapolis, sildenafil nos Estados Unidos, e prevê a instauração de um Estado palestino no local onde hoje estão localizados Israel, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.
O texto foi assinado pelos deputados do Hamas na sede local do Conselho Legislativo Palestino (Parlamento) e lido por Ahmed Bahar, membro do movimento islâmico e ex-presidente da Câmara, dissolvida em junho pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
Nós, deputados do povo palestino e signatários deste documento, anunciamos que só o povo palestino exercerá o direito da autodeterminação como considerar procedente, afirmou Bahar ao término da cerimônia.
Intitulado Documento para a Permanência dos Princípios e a Rejeição às Concessões na Conferência de Annapolis, o documento foi assinado em um ato formal ao qual compareceu o chefe do Executivo do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh.
Embora não tenha valor legal, devido à dissolução do Parlamento palestino por Abbas e por ter sido assinado apenas pelos deputados do Hamas – que controla a Faixa desde que expulsaram há cinco meses as forças leais a Abbas -, o documento representa um novo esforço do movimento islâmico para deslegitimar a conferência de paz.
O objetivo final da reunião nos EUA, que começa hoje à noite com um jantar na Casa Branca, é criar um Estado palestino em Jerusalém Oriental, Gaza e Cisjordânia que viva em paz com Israel.
A declaração trata o retorno dos refugiados palestinos a essas regiões como direito irrenunciável. Este é outro aspecto que será abordado em um eventual acordo de paz que Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, comecem a negociar após a reunião em solo americano.
O texto do Hamas foi assinado pouco depois de o porta-voz do movimento, Fawzi Barhoom, chamar Abbas de o pior líder da história do povo palestino, e horas antes do início, nesta tarde, de uma cúpula de grupos opositores palestinos organizada pelo Hamas em Gaza, em um evento paralelo ao de Annapolis.
Além do Hamas, os principais grupos que participarão desta conferência em Gaza são os Comitês de Resistência Popular e a Jihad Islâmica.
Um dos líderes da Jihad Islâmica, Mohammed al-Hendi, proclamou na abertura da reunião que os palestinos nunca aceitarão apenas 10% de sua terra.
Os esforços do Hamas em esvaziar a reunião de Annapolis coincidem com a divulgação hoje de pesquisas de opinião mostrando que a maioria dos palestinos acredita que Olmert não quer uma paz genuína e que distúrbios acontecerão na região caso a conferência fracasse.
De acordo com uma pesquisa do Centro Palestino de Opinião Pública – com sede na Cisjordânia, área sob autoridade de Abbas -, 54% dos palestinos temem que, caso o encontro nos EUA seja um fiasco, haja uma nova escalada da violência no Oriente Médio.
Ainda segundo este estudo, 58,6% dos entrevistados acham que Olmert não quer uma paz genuína com os palestinos, embora a maior parte dos pesquisados, 67,6%, apóie a presença de Abbas na reunião.
O ceticismo que rodeia a conferência de Annapolis foi reforçado por novos confrontos armados entre israelenses e palestinos.
De acordo com fontes hospitalares da Faixa de Gaza, três milicianos palestinos morreram hoje em dois ataques do Exército israelense registrados antes do meio-dia no norte da região.
No primeiro, um miliciano morreu e dois ficaram feridos com a ação de um avião militar israelense sobre a cidade de Beit Hanoun.
Os outros dois foram mortos pouco depois por soldados de Israel perto da passagem de Erez, que une este território palestino ao Estado judeu.