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Mulher que sobreviveu a injeções letais nos EUA está consciente e falando, dizem seus advogados

Comunicado afirma que Christa Pike continua recebendo tratamento médico essencial, mas que seu prognóstico permanece incerto

Redação Jornal de Brasília

06/10/2026 18h23

mulher que sobreviveu a injeções letais nos eua

Foto: Handout/Tennessee Department of Correction/ AFP

FOLHAPRESS

Christa Pike, mulher condenada à morte no estado de Tennessee, nos Estados Unidos, que sobreviveu a duas injeções letais está consciente e falando enquanto recebe tratamento médico, afirmaram seus advogados nesta terça (6).

“Contra todas as probabilidades, Christa Pike está consciente, falando, e continua a receber tratamento médico crucial. Apesar de graves danos em seus braços, ela ainda está algemada e presa a uma cama. Sua recuperação médica não tem precedentes. Seu prognósticos segue incerto, mas esperamos, no mínimo, uma longa recuperação”, afirmaram os advogados em comunicado.

Pike, 50, recebeu duas injeções letais na noite da última quarta-feira (30) antes de ser transferida para um hospital —ele ficou em estado crítico. Foi a segunda execução malsucedida na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend neste ano.

Ela foi condenada à morte na década de 1990 pelo assassinato de uma colega, Colleen Slemmer. Na época, Pike tinha 18 anos.

Após a falha na execução, os advogados de Pike reforçaram o pedido para que ela tivesse sua pena transformada em prisão perpétua e chamaram a execução de “tortura química”.

O governador do Tennessee, Bill Lee, que na segunda-feira antes da execução da pena havia rejeitado o pedido de clemência de Pike para comutar a condenação para prisão perpétua, determinou a suspensão das execuções previstas no estado até o fim do ano e uma investigação independente sobre a tentativa fracassada de quarta-feira.

“Não há ninguém que quisesse que o que ocorreu na noite passada acontecesse”, disse Lee, um republicano, a jornalistas. “É uma tragédia, e é profundamente perturbador para mim que isso tenha ocorrido neste estado. A população merece algo melhor, e vamos garantir que isso aconteça.”

O caso de Pike é uma raridade no país. Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.

Desde 1976, quando a Suprema Corte voltou a permitir a aplicação da pena de morte após uma suspensão de quatro anos, apenas 18 mulheres foram executadas nos EUA, diante de mais de 1.600 execuções realizadas no período.

Na época do crime, ela e seu então namorado, Tadaryl Shipp, espancaram, torturaram e assassinaram Slemmer, uma jovem de 19 anos que conheceram em um acampamento de treinamento profissional para adolescentes.

O assassinato causou um frenesi na mídia em Knoxville, no Tennessee, em 1995, quando Colleen foi encontrada com um pentagrama esculpido em seu peito.

Pike acusou Colleen de insultá-la e tentar roubar seu namorado. Dois outros moradores do acampamento testemunharam posteriormente que Pike se gabou do assassinato antes e depois, e mostrou-lhes um pedaço do crânio de Colleen.

Um ano depois, ela foi condenada à morte, enquanto Shipp —que tinha 17 anos na época— recebeu uma sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.

Pike possui um histórico documentado de abuso sexual infantil, abandono e negligência. Seus advogados acreditam que, se ela fosse considerada culpada do mesmo crime hoje, como adolescente, não receberia a pena de morte.

Em 1995, a psicóloga forense Diana McCoy foi contratada pela equipe de defesa de Pike e constatou que ela havia sido gravemente negligenciada pelos pais.

O relatório de McCoy revelou que Pike sofreu abusos físicos e sexuais por parte de vários maridos e namorados de sua mãe, e foi estuprada diversas vezes, uma vez aos 11 anos e novamente aos 17.

Posteriormente, descobriu-se que ela havia sido estuprada repetidamente quando criança pelo namorado de sua avó. Em 2021, Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar na prisão.

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