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Mubarak mantém-se na Presidência, mas cede alguns poderes ao vice-presidente

Arquivo Geral

10/02/2011 21h51

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, anunciou em discurso televisionado à nação que continuará na Presidência do país, mas com menos poderes, ao ceder parte deles a seu vice-presidente, Omar Suleiman, apesar das expectativas desta quinta-feira de que ele poderia renunciar ao cargo.

 

“Decidi delegar alguns poderes ao vice-presidente de acordo com a Constituição”, disse Mubarak, de 82 anos e no cargo há três décadas, em seu discurso.

 

O chefe de Estado não falou em renunciar à Presidência da República, mas se comprometeu a dirigir um processo que conduza a “eleições livres e limpas” em setembro.

 

“Vou me concentrar em proteger a Constituição e os interesses do povo até que o poder e a responsabilidade sejam entregues a quem os eleitores votarem em setembro”, afirmou.

 

“Isso é o que eu jurei”, acrescentou Mubarak, quem se comprometeu com uma “transferência pacífica” do poder.

 

O presidente da Câmara Baixa do Parlamento, Fathi Sorour, esclareceu que Mubarak transferiu algumas prerrogativas ao vice-presidente, de acordo com as limitações constitucionais, mas mantém outras.

 

Entre as que ele conserva, está a reforma da Constituição, a dissolução do Parlamento e a dissolução do Governo.

 

Dezenas de milhares de manifestantes concentrados na praça Tahrir, no centro do Cairo, receberam com raiva e frustração o discurso do presidente.

 

A indignação e até mesmo lágrimas sucederam o silêncio que predominou durante toda a mensagem do líder, retransmitido por uma grande tela instalada na praça, epicentro da revolta popular que começou em 25 de janeiro.

 

Muitos dos manifestantes congregados na praça tiraram os sapatos e os ergueram para o alto com a sola voltada para o telão, gesto considerado de desprezo no mundo árabe.

 

Antes mesmo de o presidente finalizar o discurso, os manifestantes já começavam a gritar “Vá embora, Hosni Mubarak!”, um dos lemas mais repetidos desde o começo da revolta popular, iniciada em 25 de janeiro.

 

Já a Irmandade Muçulmana, principal grupo político de oposição, recusou-se a comentar sobre o pronunciamento de Mubarak. Em declarações à Efe, o porta-voz do grupo, Essam al-Arian, disse que não haverá comentários até sexta-feira.

 

Ao longo de toda a tarde desta quinta-feira, tinha-se especulado em meios de comunicação locais e internacionais sobre a possível saída de Mubarak do poder, pressionado pela crescente revolta popular.

 

As expectativas surgiram por volta das 18h30 locais (14h30 de Brasília) quando a televisão estatal informou que o presidente faria um discurso em breve.

 

Pouco depois da fala de Mubarak, o vice-presidente também se dirigiu à nação, e classificou a situação política do Egito como “momento decisivo”, além de garantir que “a porta está aberta para continuar o diálogo”.

 

O vice-presidente fez um apelo à unidade e pediu aos cidadãos que “trabalhem juntos para construir um futuro brilhante”.

 

“Peço a todos os cidadãos que trabalhem juntos para conseguir um futuro brilhante. Não podemos deixar o país ser levado pelo caos”, advertiu Suleiman.

 

Também se comprometeu “a realizar uma transição pacífica do poder de acordo à Constituição”.

 

“Estou dedicado a todos os procedimentos que forem decididos no diálogo nacional”, que começou no domingo passado entre Suleiman e grupos de oposição, destacou o vice-presidente.

 

Ele também reiterou a necessidade de recuperar a confiança de acordo com a Constituição e a lei, confirmou que havia recebido de Mubarak algumas prerrogativas presidenciais – sem detalhar quais – e disse que havia “começado o trabalho com as Forças Armadas”.

 

Suleiman ainda pronunciou palavras para os líderes dos protestos no Egito. “O movimento de 25 de janeiro conseguiu com sucesso gerar uma mudança global na manifestação da democracia. A mudança já começou”.

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