Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciaram a suspensão de atividades médicas não críticas no Hospital Nasser, em Khan Younis, na Faixa de Gaza, após relatos de presença de homens armados e encapuzados que ameaçaram a segurança de pacientes e funcionários.
Em comunicado divulgado neste sábado (14), a organização destacou que as equipes observaram um padrão de atos inaceitáveis, incluindo intimidações, detenções arbitrárias de doentes e suspeitas de movimentação de armas. O hospital é um dos maiores e poucos ainda operacionais no enclave palestino, onde centenas de pacientes e feridos de guerra foram atendidos, além de servir como ponto de acolhimento para prisioneiros palestinos libertados em acordos de cessar-fogo com Israel.
Os MSF enfatizaram que não está claro a quem pertencem os homens armados, notando a multiplicação de grupos armados em Gaza após o conflito, incluindo milícias apoiadas pelo exército israelense em áreas sob controle de Israel. Funcionários do hospital relataram ataques repetidos por membros de grupos armados e milícias, apesar da presença policial.
A organização manifestou preocupações às autoridades competentes, reforçando que hospitais devem permanecer como espaços civis e neutros. Essas inquietações são agravadas por ataques anteriores de Israel a instalações de saúde, incluindo o Hospital Nasser, sob acusações de uso pelo Hamas. Elementos de segurança do Hamas foram vistos com frequência em hospitais, bloqueando acessos, e alguns reféns libertados relataram terem ficado em unidades médicas durante o cativeiro.
O Ministério do Interior controlado pelo Hamas anunciou que a polícia será destacada para garantir a segurança dos hospitais, eliminando a presença de homens armados, instaurando processos judiciais contra infratores e implementando medidas mais rigorosas para proteger pacientes.
De acordo com o direito internacional, hospitais recebem proteção especial em tempos de guerra, mas podem perdê-la se utilizados para esconder combatentes ou armazenar armas, conforme o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Ainda assim, deve haver aviso prévio para evacuação de profissionais e pacientes. Danos desproporcionais a civis em ataques violam o direito internacional. Organizações humanitárias apontam que Israel devastou o sistema de saúde de Gaza, fechando a maioria dos hospitais e causando danos graves.