O presidente da Médicos sem Fronteiras (MSF) na Espanha, José Antonio Bastos, confirmou que as duas voluntárias espanholas sequestradas na quinta-feira (13) no campo de refugiados de Ifo, em Dadaab (Quênia), são a madrilenha Blanca Thiebaut, de 30 anos, e a catalã Montserrat Serra, de 40.
Em entrevista coletiva, Bastos disse que a MSF está “em contato com as famílias” das voluntárias e “com todas as autoridades pertinentes desde o primeiro momento”, como o Ministério de Relações Exteriores espanhol. Representantes do ministério e da MSF fizeram uma reunião de coordenação nesta sexta-feira.
“Estamos fazendo tudo o que está em nossas mãos para conseguir a volta das voluntárias sãs e salvas o mais rápido possível”, assinalou.
As duas voluntárias espanholas, que não estavam acompanhadas por escolta, pertencem ao aparelho logístico da MSF e viajavam em um veículo que foi assaltado a disparos na quinta-feira, por volta de 13h30 no horário local (7h30 no horário de Brasília) em Dadaab, a cerca de cem quilômetros da fronteira com a Somália.
No assalto, o motorista Mohammed Hassan Borle, de 31 anos, ficou ferido e está hospitalizado “em situação estável e fora de perigo”, afirmou Bastos. A ONG não pôde estabelecer contato com as trabalhadoras sequestradas e desconhece a autoria do ataque e o estado de saúde das voluntárias.
O presidente da ONG informou que os voluntários internacionais da MSF que trabalhavam no campo de refugiados foram transferidos a Nairóbi para analisar a situação e ver quando podem retomar suas atividades.
A MSF tem 49 trabalhadores internacionais em Dadaab e 343 locais. No campo de Ifo, um dos três que compõem Dadaab e onde ocorreu o incidente, a organização tem oito voluntários internacionais e 60 trabalhadores locais.
O presidente da ONG ressaltou que a organização não trabalha com escolta armada, e que os trabalhos continuarão desta forma, apesar do ocorrido.
“Estamos há muitos anos trabalhando em países em guerra e temos uma proporção de incidentes de segurança muito similar ao de outras ONGs que usam escoltas armadas”, justificou Bastos.
Ele negou que a ONG tenha recebido algum aviso por parte das autoridades sobre uma possível piora na segurança da área, embora tenha admitido que a região é de alto risco desde 1991.
O presidente da MSF-Espanha não quis se pronunciar se a ONG está usando mediadores próprios no sequestro, e acrescentou que a organização esteve em contato também com as autoridades do Quênia.
A MSF formou um comitê de crise para solucionar o incidente, e Bastos acrescentou que o sequestro precisa de “prudência e descrição” para sua resolução.
“Formular uma hipótese sobre a autoria é um exemplo muito claro da informação que poderia pôr em perigo a pronta resolução deste incidente”, disse. Por isso, ele pediu a todos os envolvidos que não comentem publicamente o assunto.
A família de Thiebaut já expressou o desejo de não se envolver com o alvoroço midiático e não quis dar informações sobre a situação.