“A oferta ainda está na agenda do dia. Achamos que esta é uma idéia que tem potencial”, disse Spasski, em entrevista coletiva. O subchefe da Rosatom assegurou que “qualquer país pode desenvolver seu potencial de enriquecimento de urânio”.
“Até mesmo o Irã, tão logo solucione seus problemas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), tem esse direito”, afirmou. Spasski pediu a Teerã, que nunca respondeu à oferta russa, que coopere com a comunidade internacional e mantenha-se dentro dos limites do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).
Segundo o plano russo, que conta com o beneplácito da AIEA, o Irã poderia enriquecer urânio na usina nuclear de Angarsk, próxima ao lago Baical (na Sibéria). Spasski também revelou que a Rosatom tem planos de criar reservas de urânio para satisfazer as necessidades do centro, projeto que já conta com a adesão do Cazaquistão, e que também desperta o interesse de Ucrânia e Armênia.
O presidente russo, Vladimir Putin, assegurou que a usina “abrangerá todo o ciclo de combustível nuclear, incluindo o enriquecimento de urânio”, e fortalecerá o regime internacional de não-proliferação nuclear.
A Rússia afirma que as instalações, que operarão sob a supervisão da AIEA, garantirão “aos Estados interessados acesso aos benefícios da energia nuclear, sem discriminações”. Por outro lado, Spasski defendeu a “legalidade” da primeira usina nuclear iraniana, construída por engenheiros russos em Bushehr, às margens do Golfo Pérsico.
“Não há documento internacional, ou resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que estabeleçam limites à construção de um reator nuclear em Bushehr”, disse. Devido a problemas de financiamento, Bushehr, que terá 1 mil megawatts de potência, não entrará em funcionamento até o próximo ano.