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Mundo

Moscou adverte Londres sobre expulsão de diplomatas nas relações bilaterais

Arquivo Geral

16/07/2007 0h00

Atualizada às 14h12

A Rússia advertiu hoje o Reino Unido sobre as “graves conseqüências” para as relações bilaterais do anúncio de Londres afirmando que expulsará quatro diplomatas russos devido à recusa de Moscou em extraditar o ex-agente Andrei Lugovoi.

“Em Londres, ask devem saber que suas provocações não ficarão sem resposta, e só podem acarretar as mais graves conseqüências para as relações russo-britânicas”, disse Mikhail Kaminin, porta-voz do Ministério de Exteriores da Rússia.

Em declarações à televisão pública, o diplomata considerou a postura britânica “amoral” por reivindicar da Rússia a extradição de Lugovoi, principal suspeito no assassinato do ex-agente Alexandr Litvinenko, mas não atender a pedidos similares de Moscou.

Kaminin citou o magnata Boris Berezovski e o representante da guerrilha chechena na Europa, Ahmed Zakayev, ambos asilados no Reino Unido e solicitados pela Justiça russa há vários anos.

O anúncio do ministro de Exteriores britânico, David Miliband, “parece uma ação muito bem orquestrada para politizar a investigação do chamado caso Litvinenko, no qual a parte russa está disposta a cooperar plenamente” com Londres, disse.

“Dá a impressão de que as autoridades britânicas tentam, assim, justificar diante da opinião pública mundial sua recusa em cooperar com a Justiça russa na extradição de Berezovski e Zakayev à Rússia”, acrescentou.

Kaminin revelou que o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov, expôs a Londres a postura de Moscou em conversa telefônica com seu colega britânico.

Enquanto isso, a Duma (Câmara dos Deputados russa) pediu uma resposta “simétrica” e “adequada” ao anúncio de Londres.

“A decisão britânica não tem fundamento jurídico nem sentido político. O Reino Unido sairá mais prejudicado do que a Rússia”, disse Andrei Kokoshin, presidente do comitê da Duma para assuntos da pós-soviética Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e ex-ministro da Defesa.

O chefe da Comissão de Exteriores da Duma, Konstantin Kosachov, acusou Londres de violar a Convenção de Viena de 1961, ao expulsar quatro diplomatas russos por causa de simples “vingança”.

Uma fonte do governo afirmou que não haverá “olho por olho, dente por dente”, já que seria um retorno das relações com Londres dos tempos da Guerra Fria, mas Moscou não cederá ao que considerou uma “chantagem” de Londres.

Lugovoi é acusado pela Justiça britânica de ser o autor material do assassinato de Litvinenko, que morreu em Londres em 23 de novembro passado, devido a uma alta dose em seu organismo de polônio 210, substância radioativa muito tóxica.

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