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Mundo

Morte de advogado gera crise histórica na Guatemala em 2009

Arquivo Geral

11/12/2009 0h00

O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, passou por um ano especialmente difícil em 2009 devido à crise de governabilidade gerada após o assassinato de um prestigioso advogado que em um vídeo póstumo o culpou pelo crime.


Depois de morto, o advogado Rodrigo Rosenberg protagonizou o maior escândalo político na história recente da Guatemala, ao por em cheque a Administração social-democrata de Colom, e reacendeu as marcadas diferenças políticas e sociais que historicamente dividiram os guatemaltecos.


Rosenberg, de 47 anos, foi assassinado a tiros em 10 de maio por um grupo de sicários que o emboscaram em um bairro residencial do sul da capital.


Este prestigioso advogado com mestrados em Harvard e Cambridge deixou como herança um vídeo no qual responsabilizava por sua morte o presidente, sua esposa, Sandra Torres, seu secretário particular, Gustavo Alejos, e um grupo de empresários e banqueiros próximos ao Governo.


Colom rejeitou as acusações e as atribuiu a uma conspiração orquestrada por grupos interessados em criar instabilidade no país e que pretendiam tirá-lo do poder.


As semanas seguintes foram de muitas especulações na imprensa local, e em menos de uma semana o país ficou dividido em dois grandes blocos.


De um lado, milhares de guatemaltecos, em sua maioria integrantes das classes mais altas do país, liderados por partidos de oposição e grupos empresariais, que tomaram as ruas para exigir a renúncia de Colom e um processo como principal suspeito do assassinato de Rosenberg.


Do outro, outros milhares de cidadãos, em sua maioria marginalizados, camponeses, sindicalistas e dirigentes populares, que se mobilizaram em diferentes pontos do país para mostrar sua solidariedade e apoio ao líder, e denunciar um complô contra o Governo.


Colom pediu o apoio da comunidade internacional para evitar a derrocada de seu Governo, e foi à Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (CICIG) para que investigasse o assassinato de Rosenberg.


Quatro meses após uma investigação baseada em “irrefutáveis provas científicas” e que envolveu mais de 260 pessoas, a CICIG informava à imprensa sobre a captura de seis dos supostos autores do assassinato de Rosenberg.


Os detidos, entre eles vários agentes da Polícia Nacional Civil, integravam um grupo de sicários que assassinaram o advogado “por encomenda”.


A CICIG disse então que faltava “chegar até os responsáveis intelectuais” do crime, e afirmou que tudo poderia estar esclarecido de forma definitiva antes do fim de 2009.


Uma nova crise atingiu o Governo Colom logo depois deste escândalo: a imprensa local denunciou no final de agosto a morte, por fome, de pelo menos 25 crianças em uma empobrecida zona do norte e nordeste do país.


No dia 8 de setembro, o governante declarou “estado de calamidade pública” nacional, para enfrentar a crise alimentícia que castigava milhões de camponeses pobres.


Com essa medida, o Governo tentava conseguir recursos da cooperação internacional para ajudar os desabrigados.


Colom argumentou então que a Guatemala “viveu com altos e vergonhosos índices de pobreza, extrema pobreza e desnutrição durante décadas”.


A ajuda humanitária enviada por diversos países conseguiu atenuar a crise, mas, segundo analistas, o problema da fome pode se repetir “com ainda maior força” em 2010.


 


 


 


 


 


 

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